Ignez Ferraz, arquitetura & design  
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ENTREVISTA Iluminação – da natural à dramática
Por Ignez Ferraz
Recebi questionário da jornalista Daniele Ruiz, versando sobre iluminação interna e externa para a Revista “Construção e Projeto”. Reproduzo minhas respostas em primeira mão:


1 - É mais fácil obter a iluminação natural quem está construindo uma casa do que quem já comprou um imóvel?


Claro, aí o controle é total, mas também podemos conseguir boas soluções em imóveis existentes. Como exemplos, dois projetos recentes nossos ainda em execução: o Condomínio Carioca, composto por quatro casas em Rio das Ostras e a reforma de um triplex na Urca.


CONDOMÍNIO CARIOCA



Nesta sala do Condomínio Carioca, as janelas basculantes dos fundos possuem peitoril de vidro e foram posicionadas na mesma direção da entrada, para melhor circulação do ar. Apenas uma luminária pendente se destaca sobre a mesa de jantar. Um rasgo com iluminação embutida percorre toda a extensão da parede de tijolos, criando um efeito dramático, que dispensa os quadros. Esta iluminação também valoriza texturas de concreto ou madeiras de demolição. No mais, apenas tomada para luminária de pé direcionada para leitura ou equipamentos de áudio e vídeo.



Ainda no Condomínio Carioca, optamos por portas de correr com peitoril de vidro no lugar de janelas para maior luminosidade. Outra vantagem para quem pode construir é a utilização do pé-direito alto, que acompanha a inclinação do telhado.


TRIPLEX


Dividimos a cobertura em duas áreas distintas: uma solar, com uma grande hidromassagem, ducha, churrasqueira e uma área zen, mais intimista, com ofurô, sauna, sala de massagem.



Trocamos os vidros da cobertura (que possuíam insufilme) por transparentes e ainda elevamos o pé-direito. Persianas por controle remoto minimizam a luminosidade quando excessiva. Para a área do ofurô a luz difusa cria um entorno relaxante, mas afrodisíaco. As luminárias articuláveis (como ostras) são posicionadas invisivelmente sobre o piso com controle de abertura e emanam uma luz amarelada e misteriosa. Arandelas discretas com vidros opacos pontuam o restante do ambiente.



Iluminação cênica à noite – leds azuladas na hidro, “chão de estrela”s no deck. Balizadores no piso, leds colantes sob o ombrelone, possibilitando o churrasco à noite.


2 - Para começar, o que a pessoa tem que fazer? No seu artigo “Em busca da Luz Natural” vc se refere a uma análise minuciosa de cada cômodo. Como assim?


A análise minuciosa de cada cômodo se dá através das questões: minha casa é funcional, tem boa circulação, iluminação e ventilação? Só assim poderemos detectar as necessidades e possibilidades do projeto arquitetônico.


3 - É possível apenas com iluminação conseguir “expandir” o espaço de uma casa? Enfim, torná-la aparentemente maior? De que forma?


Sim, a busca da LUZ deve ser a linha condutora de um bom projeto – seja através de transparências (substituindo vidros opacos e fantasias por incolores), rasgos ou amplas interligações entre os cômodos (para melhorar áreas internas, chegando ao conceito do loft na sua forma mais ampla) ou entre interior e exterior, além da ampliação de vãos de esquadrias (possíveis apenas nas casas).



Nos banheiros das casas, especifico o blindex vertical que proporciona uma visão agradável com jardins internos de plantas e pedras, cercados por bambus ou eucaliptos. À noite, recebem filtros dourados de dicróicas localizadas no piso e na viga da fachada. (Curta mais detalhes deste charmoso banheiro)


Quanto maior for a sua área de entrada para a luz natural, maior será sua economia de energia. Nesta busca, bay-windows, varandas e clarabóias são sempre bem-vindas.



Mini-cozinha cercada de luz por todos os lados. Halógenas muito potentes (acima de 150 w) devem ser sempre utilizadas de forma indireta, com a lâmpada voltada para o teto ou um refletor, como no exemplo. (Veja outros ângulos deste Gazebo Culinário)


Evite os rebaixos, a não ser para esconder tubulações. O teto pintado de branco é o ideal para uma aparência mais alta, principalmente com uma iluminação rebatida.



Uma idéia simpática e mais audaciosa é executar o teto como se fosse uma clarabóia: vidros jateados recobrem lâmpadas fluorescentes "luz do dia" dando a sensação de luz natural.
Nos escritórios, é precioso para as áreas afastadas de qualquer iluminação natural; nas residências, útil nos banheiros com exaustão mecânica.
(Aproveite e leia o texto sobre Forros Quentes)


Em quartos, salas de TV ou escritórios, tente localizar a área de leitura o mais próximo possível das janelas.
À noite é que os problemas de iluminação aparecem, pois o mau uso da luz artificial provoca desconforto nos olhos.



Mais importante do que o tipo de lâmpada, é que a luz emanada da luminária não ofusque e permita uma claridade própria para uma boa leitura. Ela deve ter uma altura ou flexibilidade de ajuste suficiente para que o filamento luminoso não seja visível, principalmente nas dicróicas. (Veja outros exemplos em Para ler, relaxe!)


4 - Muitas pessoas compram uma casa usada e depois se decepcionam porque a mesma é escura criando um ambiente mais obscuro. É possível resolver todos os casos? Quais os cuidados antes de adquirir um imóvel?
Quem vai comprar um apartamento na planta. É importante prestar atenção na iluminação natural?



Antes de adquirir um imóvel é necessário pedir uma consultoria a um arquiteto de confiança, mesmo que este projeto ainda esteja na planta. Ele será capaz de analisar se o imóvel tem boas condições de iluminação, já que fachada, vista e entorno não poderão sofrer alterações; ou ainda se um novo projeto terá um custo-benefício que valha a pena o investimento.


5 - Além da iluminação natural, o que mais hoje está “na moda” em termos de iluminação. O que as pessoas estão procurando? Quais as novidades do mercado?


Observo as novidades das edificações para aplicá-las nos interiores. Fora a luz natural cada vez mais valorizada (até nos metrôs londrinos Norman Foster projetou iluminação zenital) sobressaem dois grupos: dramática ou cênica com arquitetos como Daniel Libeskind usando a luminotécnica da mesma maneira que artistas como Dan Flavin a utilizam - híbrido que desloca o comercial para o residencial. Tons frios brancos e azulados.
No movimento oposto, existe a luz calma e silenciosa, que penetra de forma controlada e mágica, cheia de significados, em aberturas inusitadas, muitas vezes fora do ângulo de visão. As tonalidades são mais aquecidas, amareladas. Nesse quesito, japoneses como Tadao Ando são imbatíveis. (Leia mais sobre este assunto em Efeitos da incidência solar nas fachadas)


6 - Por favor, cite com detalhes o que se deve investir, em termos de custo-benefício, em iluminação externa e interna.


Nos interiores, a iluminação deve ser discreta, embutida, mas pontuada com algumas luminárias de destaque como pendentes na sala de jantar - grandes e simples, podendo vir em duplas -, elaboradas em releituras clássicas ou lúdicas como as de Ingo Maurer; de pé, com cúpulas articuláveis (bem grandes, à la Philippe Stark) ou retrôs – reproduções vintage das décadas de 60/70; minúsculos abajurs colocados em repetição minimalista sobre aparadores; pendentes localizadas sobre mesas laterais com ares artesanais, mas executadas com tecnologia de ponta como as de Tord Boontje.



Para ambientes pequenos ou que não se deseje reformar, a luminária central também pode ter braço articulável para se posicionar conforme a necessidade.


Para o exterior, devem ser escondidas sob a folhagem ou altas e marcantes em bambu, para delimitar passagens.


7 - Quem precisa economizar, pode aos poucos ir mudando a iluminação? Onde começar?


Você pode começar trocando as luminárias centrais por lâmpadas mais econômicas existentes no mercado e retirando trilhos com spots, substituindo-os por tomadas baixas para luminárias de pé ou abajurs. Arandelas distribuídas em alturas não convencionais podem dar toque de modernidade da casa. Tudo deve ser dimerizado para economizar energia e proporcionar vários ‘climas’.
Mas o melhor seria contratar um arquiteto para definir o conceito luminotécnico.


8 - Finalmente, por favor, me confirme seus dados pessoais: quantos anos de profissão, especialização (se houver). Atua mais em qual localidade?


Graduei-me em Arquitetura e logo depois veio a pós-graduação em Sociologia e Economia Urbana. Mas ainda durante a Faculdade fiz especializações em Paisagismo, Design, Programação de obras e Comunicação Visual. Mais tarde fui ampliando meu leque de interesses e fiz cursos bastante variados, das artes plásticas aos vinhos, de cinema à psicopatologia. Acredito na integração das Artes e que a criação advém de todas essas vivências.


Como arquiteta também atuei em diversos estados, principalmente São Paulo, e no período em que abri a Prisma 3 (déc. 80), loja de móveis infantis evolutivos, vendi-os para vários outros países.


9 - Por que resolveu seguir essa profissão? O que mais te atraiu? A escolha teve influência de alguém próximo?


Escolhi ser arquiteta aos treze anos. Descendo de uma família cujas mulheres sempre trabalharam, mas minha mãe, engenheira e astrônoma (na época, a única mulher astrônoma brasileira), foi quem mais me incentivou a ingressar na Arquitetura, que conjugava as matérias que mais gostava: matemática (tecnologia) e desenho (artes). No Design, tive o privilégio de conviver desde criança com um grande mestre do mobiliário e da madeira - Joaquim Tenreiro - o português que "inventou" o móvel moderno no Brasil. Era ele quem projetava todos os nossos apartamentos, detalhando além dos móveis, as luminárias, cortinas, azulejos.
Já fui premiada nestas duas áreas.
 
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