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Jonas & Nanna - design nórdico em alta
Por Ignez Ferraz
Nordic Design up-to-date


Sempre admirei o design nórdico, e desde que assisti à exposição “Novos designers” no Scandinavian Center em N.York (2000, recém inaugurado), voltei a me interessar. Dois anos depois, fui convidada pelo IAB para participar da elaboração da MIRA (Mostra Internacional Rio Arquitetura) e pesquisei sobre o novo boom destes tão aclamados projetistas, que influenciaram o mundo todo na década de 60 com seu desenho orgânico e minimalista.


Dois designers antagônicos me chamaram especial atenção:



NANNA DITZEL – nascida em 1923, reverenciada pelos dinamarqueses como a Grande Dame do design escandinavo (ela é a única mulher de destaque nesta área), Nanna teve presença importante em todas as etapas do design no seu país. Trabalha com formas inspiradas principalmente na natureza. Um desenho forte e impactante, mas lírico e ultrafeminino.



JONAS LINDVALL – sueco, 40 anos mais jovem, considerado o herdeiro do purismo nórdico. Móveis retos, secos, mas cheios de surpresas funcionais ao se abrirem (nenhuma ferragem fica visível).


Como já havia escrito para a ESCALA uma matéria sobre o trabalho da Nanna, resolvi conhecê-la pessoalmente. Alugamos um loft em pleno centro medieval de Copenhague.





Conversamos algumas vezes por telefone, mas preferi visitá-la num sábado, fora da sua agitação habitual.
Apesar de conhecê-la por foto, sua elegância e refinada calma nos gestos me surpreenderam. Recebeu-nos na sua própria sala de trabalho (no primeiro pavimento de seu studio/residência de cinco andares e subsolo), com uma simpática taça de vinho branco.





No térreo, ela possui uma pequena vitrine onde costuma expor seu último trabalho. Estava orgulhosa com o relançamento de sua linha de peças coloridas em espuma de poliuretano que podem formar diversas composições. Havia pedido a amigos, durante o vernissage, para se sentarem exatamente na mesma posição que outros o fizeram 50 anos antes (ver foto em Na Mídia – Escala 2005).


Nanna portava jóias de prata que havia desenhado em 1954 para a firma Georg Jensen, que completou 100 anos de existência como a mais poderosa fábrica de pratas e objetos em aço inox.
(Nela não resisti e comprei uma moderníssima espátula de bolo para meu filho que ia se casar.)








A Illmon´s, melhor loja de artigos para casa, (fachada de tijolos aparentes ao fundo) está situada ao lado da Georg Jensen na maior rua de pedestres do mundo.





(Não resisti novamente e comprei para meu filho coloridos acessórios de cozinha da badalada marca finlandesa Marimekko.)





Na véspera eu havia visitado a exposição-retrospectiva do finlandês Eero Aarnio (super prática e confortável a famosa Ball chair, que continha até telefone!).


Assistimos um vídeo sobre sua obra, onde ele comentava a respeito de seu projeto favorito – a Bubble chair, cadeira redonda de balanço, pendurada ao teto, que o tornou mundialmente famoso.


Comentei com Nanna que conhecia sua Basket, projeto com exatamente a mesma concepção, mas utilizando materiais diferentes: enquanto Eero moldou-a em plástico, Nanna executou-a em vime, já que seu fabricante seria a italiana Bonacina.
Detalhe: a Basket foi desenhada 10 anos antes!
Nanna apenas sorriu, balançando a cabeça afirmativamente.



Nanna Ditzel, Basket, 1957 e Eero Aarnio, Bubble, 1968


Apesar de não me revelar seu móvel favorito, minhas desconfianças recaíram sobre a única foto da sua sala: a cadeira Shell, em compensado termoformatado à maneira dos nórdicos, mas muito mais elaborada (ver em Na Mídia - Escala 2005).


Para trabalhar, utiliza as cadeiras Trinidad, seu maior sucesso comercial, executadas pela Fredericia, indústria que ampliou muito depois de se aliar à Nanna (ver em Na Mídia – Escala 2003 ).


Na exposição de designers premiados em 2004 no Danish Design Centre, destaca-se outro investimento da Fredericia – a mesa "Micado", de Cecilie Manz, formada por um tampo redondo e três pés que se ajustam sem cola ou parafuso.





Não fui à Copenhague interessada apenas no Design, mas também na nova Arquitetura.





Aberta há apenas um mês, a Operäen, projeto do dinamarquês Henning Larren, situado no cais de Holmen, atrai multidões que vão conferir do imenso balanço da sua laje frontal aos sofisticados globos dourados do hall.





Logo que soube que eu iria à Copenhague, Jonas Lindvall gentilmente me convidou para conhecer sua cidade Mälmo, na Suécia, à apenas 35 minutos de trem sobre uma ponte que interliga as duas cidades. Ele estava com uma exposição individual dos seus trabalhos (inclusive Arquitetura e Interiores) no museu Form & Design Centre.





Jonas é divertido, conversador, gosta de música brasileira e de comer alce (carne extremamente tenra que também provamos).
Cursou arquitetura quando já tinha 26 anos, pois antes trabalhava como ilustrador. Assim como no Brasil, Design de mobiliário é apenas uma especialização da pós-graduação.
Possuem também quase as mesmas dificuldades como controle de royalties e desconfiança dos fabricantes e lojistas quanto à antecipação de tendências. Mas demoram-se no estudo de protótipos, como esta cadeira levíssima onde utilizou compensado aeronáutico.





Segundo Jonas, nem dez designers suecos sobrevivem apenas da profissão e cerca de 70% da sua produção é exportada para o Japão.
Hoje dirige a Vertigo e, assim como Nanna, trabalha com muito poucos funcionários. Desenha também para a indústria David Design, onde seu cabideiro Quasimodo é o best-seller.





Queria muito conhecer o novo projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que certamente aumentará o número de visitantes curiosos à pequena cidade. Além de imensamente alto, é uma grande escultura retorcida, chamado de Turning torso.





Apesar de ainda inacabado, consegui com Jonas acesso às plantas e visitei alguns stands de banheiros e cozinhas.


Na volta ao Brasil, numa escala em Londres, visitei o Design Museum. Bem, a exposição mais importante era sobre...os nórdicos, é claro!


 
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