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Museu Judaico: fortaleza das sensações
Por Fabio Memoria



Já no seu exterior, o MUSEU JUDAICO em BERLIM se diferencia das demais construções. Na sua fachada metálica, apenas rasgos estreitos, sem ordenação, nos remetem a lembrança de uma fortaleza.


Uma implantação irregular que deixa o visitante curioso.





A princípio não se vê a entrada da construção.



Ôpa! Não é por aí.


Percebe-se que a entrada é pelo edifício ao lado - o Museu Nacional de Berlim. Existe algo simbólico, quando atravessamos o túnel de concreto que desemboca no subsolo, um clima denso.


A construção é formada por três eixos: o Eixo do holocausto, o Eixo do exílio e o Eixo da continuidade. Ao percorrer os corredores, sente-se uma ligeira dificuldade no caminhar. O piso é levemente inclinado, o que traz uma sensação desconfortável. As paredes formam ângulos diferentes entre si, causando desorientação. As aberturas estreitas produzem flashes da luz do dia, criando um clima de maior suspense.



Janelas tímidas, mas expressivas.


Ao fundo do Eixo do holocausto, surge uma grande porta metálica. Para abri-la, é necessário fazer força, pois é pesada.
Entra-se na torre do holocausto. Um local espantoso - uma sala fechada toda de concreto, com paredes enormes e um teto elevado a mais de 20 metros. Lá em cima apenas um feixe de luz, única abertura do ambiente.



O fosso do holocausto


Um silêncio ensurdecedor toma conta do lugar, um sussurro cria um eco fortíssimo. Realmente não há nada a dizer. Tento descrever da maneira mais detalhada e profunda possível, mas nem fotos, nem textos conseguiriam captar a atmosfera daquele espaço e daquele silêncio.


O Eixo do exílio é formado por outro corredor, agora menor e com a mesma porta metálica pesada. Ao entrarmos, deparamos com um jardim de concreto.



Vista externa do jardim do exílio.


Prismas com bases quadradas, compridas e inclinadas, formam um quadriculado de pequenas torres. No topo de cada um, vegetação. Um espaço curioso, aberto, onde se escuta o som das ruas, das pessoas que passam por perto. O percorrer entre essas pequenas torres de concreto também conduz a uma outra sensação: paz, alívio.


O Eixo da continuidade é o maior deles. Uma escadaria enorme apresenta o ambiente. Quando se começa a subir, percebem-se vigas de concreto, inclinadas, que rasgam o corredor transversalmente, como se furassem de um lado ao outro a pele do museu.



Corredor com grandes vigas atravessadas.


A escadaria possui três patamares, cada um com uma sala, sendo a primeira a mais impressionante: um espaço fechado, com o pé direito alto, uma clarabóia que o ilumina levemente. No piso, um mar de peças redondas de ferro e em cada uma delas, um rosto esculpido.





Um arrepio toma conta do visitante. Percebe-se então que foram feitas uma por uma, pois não são idênticas. Este mar de rostos de ferro enferrujados lembra um pesadelo, fornecendo a última das sensações do museu: dor.


Depois da visita ao museu, as inúmeras sensações que ele me trouxe não saíam da memória. Cada edificação que visitava em Berlim era deslumbrante, mas nenhuma me trouxe tanta emoção. Sua arquitetura fala. Simboliza muita coisa. É um tapa na cara dos nazistas. O primeiro texto que existe no museu é sobre o arquiteto: DANIEL LIBESKIND (Vejam sua biografia ) que é judeu e filho de judeus, mortos durante o holocausto. Ele venceu um concurso entre 165 arquitetos. Fico pensando... se eu, um não judeu, senti emoções indescritíveis a cada passo dado naquele local, imagina um deles!
(Leiam “Anima” , sobre as obras emocionadas da artista judia Susi Cantarino. Se quiserem conhecer ouras obras desta cidade, espiem pelas "Janelas de Berlim", também do Fabio)


Daniel Libeskind pode não ter trazido seus parentes de volta, mas com certeza lavou a alma de milhares de judeus no mundo.


Fabio Memoria é estudante de Arquitetura da UFRJ e visitou Berlim quando estudou durante um ano na Faculdade do Porto (para conhecê-la leia "Arquitetura Portuguesa: uma escola"), com bolsa fornecida através de concurso. Concedeu entrevista para a revista ESCALA (veja matéria abaixo), quando veio passar as festas de fim de ano com sua família.





 
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