Ignez Ferraz, arquitetura & design  
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PLÁSTICOS – heróis ou vilões da eco-sustentabilidade?
Por Ignez Ferraz
Você está tendo um dia ruim? Sublime seus instintos homicidas com FRED, o boneco de borracha de silicone (material que permite moldar qualquer forma, além de impermeável), que jamais vai reclamar, não importando quantas vezes você cravar seu coração com sua BIC - afinal de contas, ele já está morto!



Dead Fred – Yann Le Bouedec/ Suck UK/ 2006
Gosto do humor inglês, como, aliás, gosto do design lúdico tão em voga.
(Nota)


PLÁSTICO é a denominação de uma família de materiais sintéticos, facilmente moldáveis - amolecidos por calor ou solventes - podendo receber aditivos (estabilizantes, dando resistência a calor) e pigmentos (cores).



HELLOOOOO!!!!!
O regador “Vallö” desenhado pela neerlandesa Monika Mulder (azul) vende trinta mil unidades por semana. Ela faz parte do grupo sueco IKEA (vejam também os projetos de outro sueco, Jonas Lindvall), fundado em 1943 por Ingvar Kamprad, quando tinha apenas 17 anos.



Há plásticos que têm como matéria-prima substâncias naturais, como a celulose (vegetais) ou a caseína (leite) e outros que provêm de uma resina sintética, criada pelo homem. E é aí que eles começam a se diferenciar entre `mocinhos e bandidos’ atuais, já que hoje só se fala em sustentabilidade e ecologia.


Classificam-se em duas categorias: os termoplásticos (heróis), que, por não sofrerem mutação na sua estrutura, podem ser reaproveitados em novas moldagens - como os derivados da celulose (pvc, polietileno, policarbonato, poliestireno); e os termofixos (vilões), que não podem, como os fenólicos, uréicos e a melamina (laminado tipo “formica”).


Dizem que nas novelas os vilões são sempre mais interessantes, mas como fui educada para ser uma `boa moça’ (une jeune fille de Sion, como dizíamos – ou ainda, quem leu “História de uma moça bem comportada” de Simone de Beauvoir?), tratarei apenas da família dos `mocinhos’(“do bem”, termo moderninho) mais conhecidos:


Resina de poliéster – Pode ser translúcida, opaca ou colorida por pigmentos, não necessitando de formas caras, o que a viabiliza em pequena escala.
Acrílico – termoplástico pertence ao grupo das resinas metacrílicas (o mesmo que metacrilato).
Mas atenção: como estes materiais podem ser arranhados, é bom que sejam utilizados apenas nas superfícies verticais. (Vejam detalhes gavetas nestes dois diferentes materiais na Linha Aline)



Therese – Buro Vormkrijgers para Cultivate/ 2006
A irreverência está num momento muito popular do desenho industrial, mas ao contrário do POP dos anos 60, baseia-se, sobretudo, na reinterpretação de peças clássicas. (Leiam Vintage e Retrô)
Esta luminária projetada pela dupla holandesa (que se dissolveu após cinco anos de sucesso) renova o conceito ortodoxo do candelabro.
É composta por 16 folhas de PMMA (polimetilmetacrilato, vulgo plexiglas) iluminadas por um bulbo fluorescente central, que lhe proporciona uma luz quase surreal.



Corian - a combinação entre minerais naturais e acrílico de alta qualidade forma uma superfície resistente de fina espessura, que também pode ser translúcida. Mas atenção: apesar de ser material considerado `do futuro’ o corian ainda é bem mais caro do que outros `do passado’.



Strip – Michel Boucquillon para Acquamass
Banheira suspensa projetada com uma única folha de corian. Estas peças ultraleves, também conhecidas como móveis-folhas, são comumente executadas em alumínio (técnica da termoformatação), mas o corian tem a vantagem de possibilitar curvas softs.(Vejam solução de Christophe Pillet para a bancada dos banheiros do Hôtel Sezz)




OPS Lamp – Studio I.T.O Design para a Du Pont/ 2006
Estes pendentes com desenhos internos, proporcionam um visual surpreendente fantasmagórico. Como parte da luminosidade das lâmpadas é retida pelo corian, sua proposta é mais decorativa.



Poliestireno – Polímero duro e quebradiço, muito utilizado em copos.
Poliestireno Expandido – mais conhecido como isopor.


Polietileno e Polipropileno – possibilitam uma superfície maleável como luvas plásticas, cortinas para boxes, copos descartáveis, tapewears...



Simplex – Azúamoliné para Cosmic – 2005
Esta pia simples moldada em poilipropileno também pode ser usada numa função híbrida como tanque (entendam este conceito em Rumos da Globalização).



PVC – termoplástico antes utilizado para tubos e condutores, hoje se aplica a quase tudo – dos pisos aos forros, passando por esquadrias e mobiliário. Mas atenção: por não ter muita resistência mecânica, o PVC deve possuir uma `alma metálica’ quando necessitar rigidez.



Vaso Nembus de Julia Dozsa para a Dríade em vinil ou PVC (policloreto de vinila) soprado que pode se moldar de diversas formas quando se coloca água dentro. As caixas, também sopradas em cores fluorescentes (ou, popularmente,“FLUO”), contêm uma estrutura metálica para armá-las.


Policarbonato – Termoplástico da família dos poliésteres muito conhecido por ser resistente como aço e transparente como vidro, substituindo-o em todas as aplicações - pode ser comercializado transparente ou opaco (veja seu uso na cobertura do Gazebo Culinário).
Mas atenção: seu custo é muito superior ao do vidro.


Para finalizar, gostaria de homenagear Patrick Jouin, um dos grandes nomes do design mundial em ascensão, que já foi eleito o “designer do ano” no “Maison & Objet”. Trabalhou com Philippe Stark (ora, ora, quel surprise!), desenhou louça para o restaurante de Alain Ducasse em Londres, e hoje tem seu mobiliário produzido pela Cassina.
Escolhi o objeto que conjuga o que ele tanto preza - tecnologia e arte: a faca que desenhou para Nutella, com cabo de teka em lâmina de plástico. Sua frase é a síntese do pensamento contemporâneo:


“SIMPLIFICAR, MAS NÃO A PONTO DE NADA EXPRESSAR”.





CUT!


Obs. Confesso que sempre fui louca por plásticos, 'do bem' ou 'do mal', até porquê, durante minha formação na década de 70, não existia esta distinção. Enquanto o Brutalismo (obras em concreto aparente) estava na crista da onda, eu assinava a revista "Modern Plastics International" para aprender como injetar plástico no concreto para torná-lo mais leve (minha palavra-símbolo). E me fascinava com banheiros que já vinham todos prontos num único bloco - o que já denotava minha outra paixão: os pré-fabricados. Até hoje não tenho dúvida que são as duas vertentes do futuro mundial. Prestem atenção!


Nota: O humor negro não é muito bem-vindo por aqui. Por duas vezes tentei incorporá-lo nos meus eventos e os clientes rejeitaram. A primeira vez numa vitrine da “Imagem e Som”, onde sugeri um manequim sentado de costas vendo uma big TV que passasse algum filme de Hitchcock, e, ao nos aproximarmos, veríamos que o boneco havia sido esfaqueado. Em termos de marketing seria espantoso, não?
A segunda tentativa foi numa Mostra, onde eu executaria um loft. Propus colocar uma cortina de plástico no box com os dizeres “NÃO ABRA”, o que, claro, deixaria todos curiosos. Ao abri-la, um desenho no piso representando uma pessoa morta. Nada feito.


P.S. Meu objeto-do-desejo:



Carrie – Marie-Louise Gustafsson para Design House of Stockholm/ 2007
Carrie é uma cestinha de acrílico com metal para pendurar no volante da bicicleta – o único esporte que gosto de praticar além de dançar. Marie-Louise se inspirou em cestas de piquenique que sua avó fazia, sobre fina toalha de mesa bordada. Esta mistura de tecnologia com artesanato (neste caso `in an old-fashion way’) - um dos hits do momento – já foi analisado no site em Sul, Movelsul e Cadeiras, onde vocês também poderão constatar as novas texturas dos plásticos nos assentos (apreciem em especial as da Patricia Urquiola e Tokijin Yoshioka).
 
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