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Allen É Arte
Por Jorge Monclar ( imagens e legendas Ignez Ferraz)
A COMÉDIA NÃO SERIA A MESMA SE NÃO TIVESSE EXISTIDO... WOODY ALLEN!





“Ignez,
Conforme prometido, aqui vai o artigo inédito e exclusivo sobre o Humor de Woody Allen para o seu site (o mais visitado do Rio!).
Caso não te veja antes de tua viagem, um bom passeio. Naquela ilha "horrível"!!!! Com aquele mar azul de dar arrepios de águas tão claras e limpas! Na volta nos vemos ou espero tua presença na Oficina de Woody. Abraços cinematográficos.
Do amigo e parceiro,
Jorge Monclar


Nota Ignez: Simpática esta “figuraça”, não? Monclar morou um ano em Creta, teve um barco e um filho que se chama Zorba. Foi meu primeiro professor de cinema no curso “Assistente de Direção”, antes da fundação da AIC, quando as aulas aconteciam no Templo Glauber.
É com imenso orgulho que o recebo agora como colaborador do site.



Woody Allen ama sua cidade – Nova York - e dela faz o seu estúdio e cenário, onde reveza sua profícua carreira de cineasta com a de músico noctívago. Quem quiser vê-lo “ao vivo e a cores”, vá às segundas-feiras no Café Carlyle, onde poderá ouvir este clarinetista tocar jazz.


A comédia cinematográfica nasceu junto com o cinema no momento que os irmãos Lumière filmaram um homem comum, surpreendido pelo jato d’água vindo de uma mangueira. Um gag puramente visual. O riso foi e sempre será, o fato inusitado num momento de normalidade da vida de uma pessoa.
O gag é o nonsense, o esdrúxulo, o impossível e inesperado acontecendo no nosso dia a dia.



Woody Allen, do alto dos seus setenta e poucos anos de idade e cerca de 40 filmes de longa-metragem realizados, alinha-se ao lado dos mestres do gênero no mundo inteiro, como intérprete, autor, e diretor, tais como: Mack Senett, Buster Keaton, Cantinflas, Capra, Billy Wilder, Totó, Jacques Tati, Charles Chaplin, Marx Brothers, Harold Loyd, Oscarito.


A COMÉDIA é um gênero que se enriqueceu ao longo dos anos. Inicialmente, com filmes de um humor visual, simplórios, com gags rápidos, de situação, narrados em três ou quatro planos, sem nenhuma cartela de texto explicativo intercalando as imagens.
Os efeitos e truques visuais que surgiram logo a seguir acrescentaram ao gênero novas possibilidades para provocar o riso do espectador, aumentando a dimensão do nonsense.


O cinema sonoro viabiliza a entrada do humor constituído de piadas narradas, dialogadas, de trocadilhos, paródias e imitações, muito caras aos humoristas do stand-up que povoavam os bares das grandes cidades e pequenos teatros de revista do mundo inteiro.
Os programas de humor das rádios de todo o planeta iriam, logo a seguir, desaguar nos roteiros de cinema e nos programas das emissoras de televisão.


Porém é com o roteirista e cineasta Woody Allen, gag man do stand-up por excelência, que a comédia cinematográfica receberia uma nova contribuição: o humor psicológico e psicanalítico.



Allen se inspira e baseia seus roteiros em personagens comuns oriundos das grandes concentrações urbanas, onde retrata a incapacidade do homem em lidar com as situações do seu cotidiano.


Aborda temas como a insegurança, a busca do emprego e a sobrevivência, o desejo sexual reprimido pelos cânones da sociedade, a solidão, a necessidade de amar e ser amado, a busca da riqueza fácil e rápida, da celebridade, da felicidade e a nova ética numa sociedade extremamente competitiva e mecanizada.


Ao longo dos anos, Woody Allen vem desenvolvendo e apurando a sua narrativa, filme após filme, passando a usar melhor todos os elementos que a compõem: a música, o som, o roteiro, a direção de arte, o figurino, a fotografia, a escolha do elenco - tudo em favor do riso.


Nos seus primeiros filmes como “Pegue sua grana e se mande” (1969), “Bananas” (1971), “Tudo o que você queria saber sobre sexo” (1972), “Interiores” (1972), “O Dorminhoco” (1973) e “A Última noite de Boris Grushenko” (1975) percebemos roteiros ainda frágeis, povoados de sketchs amarrando a narrativa, composta por gags dialogados e de pouco humor visual.


As principais preocupações de sua obra - o sexo, o amor e a morte – afloram aos poucos. No período de 1975 a 1979 Allen passa a acumular prestígio, incluindo-se, neste momento, entre as dez mais rentáveis estrelas do cinema americano, embora não buscasse isso.
Seus filmes tornam-se mais universais e começam a ser percebidos pelo público europeu, sobretudo o francês.


Em 1977 lança uma das suas melhores realizações - “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” - e recebe o Oscar de Melhor Filme da Academia Americana de Cinema, além de outros como melhor Diretor, Atriz e Roteiro original. Aí se inicia uma fase de filmes mais bem acabados artística e tecnicamente, como “Manhattan” (1979), uma declaração de amor em branco e preto à sua cidade e seu bairro.
Um filme, sobretudo, autoral.



Nota Ignez: Diane Keaton, sua primeira namorada-inspiração fez de Annie Hall (“Noivo neurótico, noiva nervosa”) um personagem fashion, com figurinos masculinos muito imitados na época.
O curioso é que as roupas pertenciam à própria Diane Hall, seu verdadeiro nome. Quer mais? Seu apelido era Annie!



Suas produções nunca dispuseram nem se propuseram a empregar grandes orçamentos. O autor evitou o emprego de pirotecnias caras e complicadas. Woody voltou suas concepções para elencos reduzidos, poucas locações, muitos interiores e aguçou sua observação existencial.
Com isso, seus filmes que foram sucessos de um público segmentado e de crítica intelectual, sempre pagaram modestamente seus custos. Ele não realiza filmes para os circuitões das Mayors. Essa situação dentro da indústria cinematográfica americana proporcionou-lhe uma autonomia autoral, criando uma forma de orquestrar sua carreira fora do sistema Hollywoodiano.
Deste modo pôde realizar filmes de influência Bergmaniana e Tchecoviana como “Interiores”, “Hanna e suas irmãs” e “A Outra”.



Nota Ignez: Com Hanna (Mia Farrow) e suas irmãs (Barbara Hershey e Dianne Wiest), mestre Allen recebeu não só o Oscar de melhor Roteiro original em 1987, como Michael Caine “papou” o de melhor Ator coadjuvante e Dianne, o de Atriz coadjuvante, repetindo o feito com “Tiros na Broadway” sete anos depois.


Escreveu roteiros a partir de músicas que lhe remetiam a memórias de sua infância, adolescência e juventude, como “A era do Rádio”; filmou biografias de músicos como “Poucas e boas”; mas acima de tudo costuma tornar dados pessoais biográficos ficcionais, ridicularizando-os, como um rapaz judeu americano inserido no stablish do show business nova-iorquino.
Esses ensaios estilísticos o amadureceram como comediógrafo cinematográfico, aperfeiçoando sua obra.


A grande capacidade de Woody Allen em escrever peças teatrais (nem sempre encenadas), sketchs para programas de rádio, televisão e shows de stand-up, facilitou sua estrutura de produção. São filmes ágeis, de baixo orçamento, mas com temáticas baseadas em idéias quase sempre muito originais, como o personagem que sai de um filme durante a projeção em uma sala de cinema e vive um romance com a espectadora em “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985).



Nota Ignez:Mia Farrow, sua musa-mulher em inúmeros filmes, poderia sustentar tão bem a mocinha ingênua na comédia mais romântica de Allen.


Outros bons exemplos: um autor teatral que é financiado por um gangster que deseja transformar a sua namorada sem talento, em estrela (“Tiros na Broadway”); um diretor de cinema desempregado que adquire uma cegueira psicológica ao ser escolhido para dirigir um filme (“Dirigindo no Escuro”); um grupo de assaltantes que alugam uma loja de biscoitos, ao lado de uma joalheria para poderem roubá-la, cavando um túnel sob o assoalho e utilizando o comércio como fachada que se reverte em mais dinheiro do que o assalto (“Trapaceiros”).


Quase todas as grandes estrelas do cinema americano têm o desejo oculto (ou declarado) de trabalharem com ele, pois é um cineasta que dirige bem os atores, muitas vezes transformando-os em celebridades, como Mira Sorvino, em “A Poderosa Afrodite”. Contracena sempre com excelentes atores, mostrando sua faceta de ator talentoso já indicado ao Oscar.
Seu vigor humorístico manteve-se em suas últimas produções lançadas no Brasil: “Match Point” (2006) e “Scoop” (2007), ambas com a atriz ascendente Scarlett Johansson.



Nota Ignez: O diretor volta a protagonizar o divertidíssimo SCOOP, dividindo a locação londrina com a divina nova-iorquina Scarlett Johansson, também estrela de Match Point. Sua atual musa-inspiração tem 22 anos e é considerada uma das atrizes mais promissoras de sua geração.


O genial artista conjuga o humor com o amor, thriller com suspense e aventura, consolidando uma carreira na arte da fazer rir com originalidade, mas provocando reflexão.


A COMÉDIA NÃO SERIA A MESMA SE NÃO TIVESSE EXISTIDO... WOODY ALLEN!


Nota Ignez - Nunca gostei de comédia "pastelão", mas sempre adorei o humor perspicaz do Woody Allen - mestre da arte de criar o absurdo em situações comuns. “Annie Hall” e “A rosa púrpura do Cairo” ainda são meus favoritos.
Planos futuros do diretor: filmar com Penélope Cruz e o charmoso Javier Bardem (espero que TODOS o tenham visto no oscarizado “Mar adentro” de Amenábar, diretor de “Os outros”, além do sensual Almodóvar “Carne trêmula” e o belo “Antes do Anoitecer” de Julian Schnabel). Aonde? Na moderna e exótica BARCELONA de Gaudí, Picasso, Miro e Dali(surrealista como Magritte).


Jorge Monclar é Diretor de Fotografia, graduado pelo IDHEC – Institute des Hautes Ètudes Cinematographiques de Paris e Mestrado em Linguagem Cinematográfica na Faculté des Vincennes. Atua no mercado cinematográfico há 30 anos tendo trabalhado com importantes cineastas brasileiros e estrangeiros. É autor de várias obras para cinema além de ter dirigido 20 curtas-metragens de ficção. Coordenador Didático da Academia Internacional de Cinema. Foi presidente do S.T.I.C. – Sind. Trab. na Ind. Cinematográfica.
 
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