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Arquitetura Portuguesa: uma Escola
Por Carol Rezende

Faculdade de Arquitetura do Porto, Alvaro Siza, 1995.


Quando falamos em Arquitetura Portuguesa imaginamos UMA arquitetura, uma arquitetura com identidade própria: sólida, e consistente, expressiva e emotiva. Poucos países no mundo expressam essa arte com alguma unidade. (Podemos falar em arquitetura contemporânea holandesa, japonesa, e na relevância recente de uma arquitetura contemporânea espanhola).
Acredito que no Brasil já tivemos essa unidade com a arquitetura moderna; pena que agora estejamos tão longe dela.


Esta Arquitetura Portuguesa cruzou fronteiras. Seus arquitetos estão com projetos por toda a Europa e vencendo concursos mundo afora (como Álvaro Siza com o museu Iberê Camargo aqui no Brasil - leia “Fundação Iberê: verdades por Siza” ).


É a afirmação de uma escola: a Escola do Porto, representada pelos três grandes arquitetos portugueses, de gerações diferentes: Fernado Távora, Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura. (Eles se formaram pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, idealizaram e ajudaram a construir a FAUP- Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto).


Távora é o mestre da arquitetura moderna portuguesa. Conciliando modernidade e tradição, foi quem deu os primeiros passos na arquitetura contemporânea.



Conjunto habitacional no bairro do Ramalde, desenvolvido por Távora entre 1952 e 1960.


Siza ajudou a construir o país no momento pós-ditadura de Salazar, quando Portugal se abriu para o mundo.

Hoje, ele representa um marco para a arquitetura do país: encontramos até classificações pré e pós-Siza.



Museu Serralves, Siza, 1991.


Souto Moura vem surpreendendo os críticos ganhando vários prêmios de arquitetura, como por seu projeto do Estádio Municipal de Braga.



O Estádio Municipal de Braga impressionou pela sua beleza na última Euro Copa.


Os três arquitetos tiveram seus escritórios (cada um em um pavimento) no mesmo edifício no Porto, projetado por Álvaro Siza. Trabalharam juntos em alguns projetos. Hoje, depois da morte de Távora, Siza e Souto Moura continuam grandes parceiros.



Edifício projetado por Álvaro Siza em 1994 para ser seu ateliê, de Souto Moura e de Fernando Távora.



Através de um intercâmbio acadêmico promovido pela FAU/UFRJ, fiz meu quarto ano da faculdade na FAUP. Fiquei encantada com a forma dos portugueses, estudantes e arquitetos, de pensar arquitetura. Que paixão pelo espaço, que dedicação à cidade!


O tema da aula de projeto era residência multifamiliar. Começamos pela implantação em um terreno de esquina perto da nova linha de metrô. A premissa para qualquer projeto é a boa compreensão de seu entorno. A nova arquitetura se insere silenciosamente, sussurra as respostas que as tensões do terreno acusam. A cidade é seu principal cliente.

Depois, de acordo com a implantação proposta, tínhamos que escolher a tipologia de acesso: direito/esquerdo (acesso no eixo com apartamentos espelhados), galeria (como as de nossa arquitetura moderna, com circulação linear externa), ou acesso direto (todos os apartamentos têm acesso direto à rua, de forma que os vizinhos nunca se esbarrem). Este último praticamente não existe no Brasil, já que não permite uma boa especulação do lote.



Acesso em galeria e direito/esquerdo.



Acesso direto.



Independente do tipo de acesso escolhido, observei que os portugueses utilizam sempre um hall para a distribuição e melhor setorização do social, íntimo e serviço. O quarto de empregada lá é inexistente na maioria dos apartamentos e a porta de serviço idem.





Hall típico. Edifício Residencial, Souro Moura, 1992.


Outra questão para nós estranha é a divisão do banheiro, ou “casa de banho” como falam na terrinha: um, com o vaso sanitário e a pia; outro, com o chuveiro.


Os alunos trabalham exaustivamente em cima do projeto, sempre discutindo entre si as soluções utilizadas. Buscam clareza e simplicidade aliadas a espaços de qualidade. Uma disciplina técnica acompanha todo o processo e possibilita a execução e entendimento de diversos detalhes construtivos.


A FAUP forma um arquiteto completo.
Mas não basta: para ser um arquiteto da escola do Porto, é preciso gostar do ângulo reto. Uma curva qualquer, só um grande advogado para defender. Ou então os cinqüenta anos de carreira do Siza.



Maquete Museu Iberê Camargo, Álvaro Siza (Vejam fotos)


A arquiteta Carol Rezende estudou um ano na Faculdade do Porto através de concurso da UFRJ e se apaixonou pela Arquitetura local. Tirou o segundo lugar no concurso da Ong Recomeçar (apreciem seu projeto em “Jovens talentos”) e o "Prêmio de Arquitetura do IAB 2007" por "Chiq da Silva". Por sorte (minha) trabalha aqui no escritório. Querem dar uma “paquerada” nela? Vejam sua foto na dica “É Carnaval”.
 
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