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Carnaval: espetáculo para assistir ou desfilar?
Por Ignez Ferraz
Watch or dance carnival?


Redescobri o Carnaval quando me senti atraída pelos desfiles das Escolas de Samba. (Na adolescência adorava os bailes inocentes de Teresópolis - Iucas, Ingá e Higino, claro! - onde rolavam confetes, serpentinas e, pasmem - lança-perfume!). Não o samba-enredo propriamente dito, mas o conjunto harmonioso de fantasias e alegorias grandiosas, planejadas para serem apreciadas à distância, a história sendo narrada através da dança dos corpos.



Portela - comissão de frente 2007 - foto Márcia Foletto


A graduação das cores, o uso apropriado de adereços que brilham ao acompanhar o passista. A cronologia das alas, algumas com centenas de componentes, que devem manter a continuidade do desfile sem ferir o ritmo marcado pela bateria. Entre elas, destaques como o mestre-sala e a porta-bandeira; a evolução rodopiante das baianas e a comissão de frente, o primeiro impacto do que será encenado.
Nunca simpatizei com os carros, para mim um grande entrave.



Viradouro - comissão de frente 2007 - foto Salvador Scofano


Resolvi então assisti-lo ao vivo – 1980, ano fantástico em que três campeãs empataram – Portela, Beija-Flor e Imperatriz Leopoldinense.
Como sou ligadésima no equilíbrio e na estética, a Portela logo sobressaiu aos meus olhos. Achei genial saber que seu abre-alas é sempre a águia-insígnia e que é a única que anuncia sua entrada com queima de fogos - adoro!
(A propósito: quem nunca passou um réveillon na praia de Copacabana ainda não se deu conta que está deixando de presenciar um dos maiores espetáculos mundiais. Imperdíveis também são o "Cirque du Soleil" e um musical da Broadway - "O Fantasma da Ópera" é a minha escolha.)


Pensei: ano que vem vou desfilar!



foto Márcia Foletto


Assistir ou desfilar - eis a questão. Na dúvida premente, não hesite: opte pelas duas sensações


Obs. Monclar, meu professor na "Academia Internacional de Cinema", observou que a única direção mais complexa do que a de uma produção cinematográfica é a de uma Escola de Samba.
Não existe um ensaio geral. As alas são treinadas separadamente e na passarela é a primeira e única vez que desfilarão juntas e fantasiadas. Faz sentido.



Não deu outra. Estava acompanhando a construção do Edifício à Rua Alberto de Campos quando descobri que o meu mestre-de-obras era portelense. Resultado: durante a semana ele era subordinado a mim, no fim de semana era meu chefe da Ala dos Príncipes. Fui eleita a mais animada (mesmo sem cerveja), treinei nas ruas de Madureira durante dois meses e este foi o início de inúmeros outros desfiles (o último em 88), com a minha Portela sempre bem classificada.
Gostava tanto que cheguei a pensar seriamente em ser carnavalesca.


Obs.Uma das minhas fortes emoções foi ser chamada para projetar o quarto do filho do grande compositor portelense Paulinho da Viola. "Foi um rio que passou em minha vida..."



Portela - ala da piscina olímpica - foto Mauro Nascimento


Uma boa opção para quem não tem paciência de acompanhar todo o desfile, mas tem nítida preferência por alguma Escola é vê-las 'desfilando' (antes de fazerem a curva do "Guenta coração!") na arquibancada da Presidente Vargas - chama-se setor zero. É grátis! (super democrático)


Mas também curto espetáculos menos grandiosos.
O imenso "Galo Da Madrugada" do Recife é uma das minhas melhores lembranças. Aliás, o carnaval de Olinda e da praia de Boa Viagem são sensacionais. Alô Fabinho!


No Rio os blocos, antes parcos como a tradicional "Banda de Ipanema" ou o "Bafo da Onça" na Av. Rio Branco, espalharam-se pelos bairros, deram filhotes e hoje são acompanhados por milhares de fãs, turistas ou cariocas. Uma das caracacterísticas marcantes são seus nomes super criativos, quase sempre com duplo sentido erótico. Além da “Rola Preguiçosa” tem o “Concentra Mas Não Sai”, "Encosta Que Cresce", “Vem Ni Mim Que Sou Facinha” e o incrível "Me Atirei No Pau Do Gato". D+!


De um modo geral as fantasias são apenas acessórios incomuns sobre roupas comuns, e homens fantasiados de mulher não é mais tão lugar-comum. Eles andam optando por personagens de desenhos infantis - Minie, Betty Boop, Garfield, Hello Kitty, Wally - divertidíssimo!


Coloquem uma "Máscara negra" e aproveitem para cantar o refrão desta música inesquecível do Zé Keti:

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval



Até quarta-feira!


P.S. É na quarta-feira que acompanhamos as notas dos jurados dadas pelos quesitos conjunto, evolução, harmonia, fantasias, alegorias, bateria...
E só pretendo escutar o som divino de "DEZ! NOTA DEZ! da PORTELA.
Confesso que sempre fico apreensiva com o carnavalesco Paulo Barros - a meu ver, o mais criativo desde Fernando Pamplona na década de 60 pelo Salgueiro. Quando Pamplona criou o "Quilombo dos Palmares" em homenagem à África, inovou com ráfia nos movimentos dos adereços, surgindo uma nova estética carnavalesca. Outra imagem impactante foi a da Mocidade Independente de Padre Miguel - o tema nada fácil "Ziriguidum 2001" de Fernando Pinto revolucionou os enredos dos desfiles.



Viradouro - carro do jogo da roleta - foto Mauro Nascimento
 
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