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Pedra, Bambu, Água - essências do Jardim Japonês
A Marcia Jardim, por Ignez Ferraz
Stone, Bamboo, Water - japanese garden




Hotel-Museu Benesse House




Hotel Asaba


BABARAM?
Os dois hotéis apresentados estão entre os melhores da Ásia.


O Hotel–Museu Benesse House, em Naoshima, possui a metade da sua área construída abaixo do nível do solo, mas sem perder luz, espaço e amplitude. Como? Foi projetado pelo maravilhoso arquiteto Tadao Ando, expoente da arquitetura introspectiva e calma japonesa.
Nota: A forma circular da piscina é idolatrada por eles, a começar pela bandeira do país.


Já o Asaba, ao norte da península de Izu, foi inaugurado em 1675 como uma pequena pousada. Tatamis típicos, banhos de cipreste e uma dramaturgia de luzes, contribuíram para que se transformasse num dos hotéis termais mais charmosos do Japão.
Dica: Reparem que o vermelho das paredes não é tão “aberto” quanto da laca chinesa. Esta coloração chama-se benigara, um cosmético vermelho obtido da queima de barro amarelo contendo ferro oxidado. Já para obter este tom acinzentado na madeira da varanda, utilize a teka apenas com seladora.


Bem, como não são hotéis muito acessíveis (nem pela localização, nem pelo preço – o Asaba custa "uma baba" -a partir de 800 dólares por noite), vamos “cair na real” e ver como podemos adaptar o japonismo ao nosso “jeitinho”.


Tanto hoje como ontem, o desenho diáfano japonês e sua sensibilidade de cores e formas complementam a natureza circundante, realçando sua perfeição mística. Três itens não podem faltar na integração de um jardim oriental: Pedra, Bambu e Água.







PEDRAS - de todos os formatos, texturas e dimensões - são os elementos naturais mais típicos na pavimentação, ou melhor, no “percurso dos passos” de um jardim japonês. Os orientais acreditam que a combinação delas com o verde da natureza já constitui um caminho relaxante para o que virá a seguir.


Jardins típicos de Kioto com pavimentação de pedras irregulares ou geométricas para trilhas.





Como a maioria das nossas residências não possui um jardim, podemos adaptar estas idéias num pequeno pátio externo como neste meu projeto, onde foram mesclados tijolos naturais e pedras redondas de diversos tamanhos e tonalidades. O verde das árvores fornece o contraponto refrescante.


Outro material de uso constante é o BAMBU (Kaki), que, imaginam, confere à casa uma intimidade pacífica.
Costumo utilizá-los sempre nos banheiros das residências unifamiliares, substituindo os basculantes por um blindex inteiro na fachada. Para garantir privacidade, um muro de bambus grossos ou eucaliptos envolve um pequeno jardim.





Imaginei uma solução semelhante para este “Gazebo Culinário” , ambientado na Casa Cor. Aliás, o jardim foi projetado pelo craque Haruyoshi Ono, que comanda o escritório do multifacetado Burle Marx (paisagista e pintor, organizava festas em seu sítio onde tocava piano e cantava árias de óperas. Tive a oportunidade de comparecer uma vez. Daqueles dias inesquecíveis! Leiam sobre a importância do seu trabalho no artigo “ANOS JK” ).







As várias maneiras de se amarrar os bambus recebem nomes diferenciados: a porta de entrada (orido) para uma casa-de-chá apresenta amarrações teppô. No detalhe da cerca, katsura, e no Gazebo, Kenninji.


Em matéria de elementos naturais, a ÁGUA é o mais importante para os japoneses. Tanto que possuem sempre um chözu-bachi para lavar o rosto e as mãos antes da cerimônia do chá.


Shodo Suzuki é um dos paisagistas mais respeitados no Japão. Sua filosofia se baseia na trilogia passado/presente/futuro, sempre em busca do entorno ecológico.
Apesar de projetar principalmente espaços públicos, elaborou um minúsculo “quintal” residencial de pedras e água para ser visto através de um grande pano envidraçado. Batizou o projeto de “Expressionismo abstrato da cascata de um cenário japonês”. SACARAM?




Jardim interno de pedras e água de Shodo Suzuki.


Agora, sejam bem-vindos a esta casa, podem entrar! (Quem tiver curiosidade em conhecê-la, leia “IT Nipônico” ). Mas não se esqueça que os calçados ficam na varanda – espertos eles, não?





Obs: Marcia Jardim é a homenageada deste artigo. Conheci-a no IAB, como diretora cultural competentíssima na gestão do também supereficiente Carlos Fernando de Andrade (Um beijo para você, Carlos. Serei sempre grata pelo elogio que você fez ao GLOBO sobre o Edifício à Rua Alberto de Campos).
Marcia foi a grande responsável pela execução da MIRA – Mostra Internacional Rio Arquitetura – em 2003, que envolveu TODOS os nossos Centros Culturais (leia matéria na Magazine ). Esta baixinha (ela é do meu tamanho!) incrível e antenadérrima, morou no Japão – bem, além da França, coitadinha!
Como não sou boba, é para ela que peço dicas de arquitetura quando viajo. E é para ela que envio hoje minha gratidão.


P.S. E-mail da Marcia:


Nossa, Ignez ,que honra e ainda mais vindo de você!
Só respondi hoje, porque estou em Roma!!! Te escrevo da Praça de Espanha. Depois sigo para Milão e Paris, onde vou ficar no mínimo um mês.
Obrigada pela homenagem, realmente uma honra para mim!
Valeu, Ignez!
TCHAU BELLA DONNA!



Não disse que ela é uma “coitadinha”?


E-mail do Carlos Fernando:


Menina.


Competente foi você, ao fazer o prédio. Mas obrigado pela lembrança.
Li agora com calma o teu site. Que trabalho lindo que você está fazendo. Fale-me dele, como surgiu, como você o divulga e para que público alvo.
BJ
CF
 
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