Ignez Ferraz, arquitetura & design  
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Rosas inspiram Elio e Pietrina
Por Ignez Ferraz
Rosas, rosas, rosas.... (Aaahhh Cartola!)


Sou louca por datas. Não esqueço aniversários (até do tipo “aniversário de casamento dos pais de uma cunhada”). Datas merecem comemoração, e por isso mesmo, quanto mais melhor. Comemorar a vida é sempre alentador.
Março é o mês da delicadeza: dia 14, o Dia da Poesia (leia o artigo “Lizze”) e dia 21, o Dia das Flores.



Arranjo da Flowerland.


E “prá não dizer que não falei de flores...”, como toda boa romântica sou apaixonada por elas. Para mim, até hoje, não existe presente que aprecie tanto.
Acho as orquídeas fascinantes – pela sua variedade de formas e cores e por uma sensualidade quase explícita. Tenho sempre várias em casa.
Mas vou confessar um segredo : são as rosas (vermelhas, é claro!) que me emocionam, ainda que venham desacompanhadas do cartão.
E se...quer coisa mais comovente do que um “obrigado por ontem”, ou “desculpe-me por ontem” ? Choro na hora, não tem jeito.
Parecem frases antagônicas, mas não são: misturam a fragilidade das pétalas com a aspereza dos espinhos. Como a vida. Como as relações. Como o amor (dá pra notar que ainda acredito nele, não?).


Bem, estou aqui me perdendo em divagações, quando na verdade quero comentar sobre a obra de dois artistas que tratam do tema:
minha querida amiga, a exuberante e talentosa (italiana, óbvio!) PIETRINA CHECCACCI e o designer ELIO GROSSMAN, que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas espero encontrá-lo na inauguração da sua exposição – “Você no centro da luz” -, na loja
Novo Desenho, no MAM (leiam mais sobre esta charmosa loja do arquiteto Tulio Mariante no coração deste museu-símbolo do Rio, no artigo “Rietveld, Mondrian e Yves Saint Laurent” ).


ELIO tem uma brilhante formação profissional (daí minha curiosidade em conhecê-lo) - graduação pela ESDI, especialização em Ergonomia pela FGV (tá na cara que projetava cadeiras), Mestrado em Inovação tecnológica (COPPE), Doutorado em Ciência e Arte (FIOCRUZ), prêmio como Lighting designer concedido pelo IAB...“tudo de bom”, né não?


Voltemos às luminárias, onde o designer apresenta uma grande variedade de materiais em diversas concepções (veja nota).Uma delas me chamou especial atenção por sua originalidade lúdica: será necessário que eu diga que foi batizada de “ROSA” ?





Flores e luzes para alimentar nossos olhos e nossa alma


A proposta destas “quase-instalações” é libertar as luminárias da única função de iluminar, transformando-a em objetos luminosos. Ou seja, aproximá-las cada vez mais da Arte.
Este é um conceito bastante contemporâneo – o da interligação entre várias áreas, tornando o objeto um híbrido. Neste setor, em especial , os “lighting designers-sculptures” estão super poderosos, como o maravilhoso Dan Flavin, que interfere na Arquitetura apenas com o uso de cores e lâmpadas fluorescentes. De perder o fôlego!
(Para quem quiser entender sobre esta nova conceituação, matricule-se no Curso de Artes da La Lampe)



Mas para quem deseja ter em casa um canteiro luminoso – e não é nenhum Almodóvar -, menos arriscado seria utilizar várias “CANAS” (mangueiras de luz sustentadas por suportes de aço inox), cujo conjunto simboliza uma plantação iluminada que parece crescer lentamente. Esta luminária participou de uma mostra anual do Museu da Casa Brasileira, sonho de todo designer.




Luz quase pura, quase orgânica, quase planta


E PIETRINA, minha sempre animada artista? Suas rosas detalhadas pétala por pétala em nuances degradées pulsam sexualidade. Tive a honra de ser uma das primeiras a expor várias destas obras na vitrine da Novo Ambiente (oi Riva e Mony!) num dos eventos “Gallery” no CasaShopping (na segunda vez participei com Ana Durães na Way Contemporânea – olá Alexandre e Eliana Pazzini, nossa “Vera Fisher da decoração”!).
Móveis e quadros “flutuavam” no ambiente onírico, cercado por véus de tule. Espalhei várias dúzias de rosas pelo piso, paredes, sofá...





Entre nós já existia uma admiração profissional recíproca e por isso foi muito fácil nos entendermos. A admiração cresceu além desta fronteira e nos tornamos amigas, inclusive juntas num réveillon. Mas inesquecível mesmo foi um final de semana no seu sítio em “Passa Quatro”. Obrigada sempre!


Bem, para quem estiver suspirando ao imaginar que nunca poderá ter uma dessas telas imensas (até mesmo por falta de espaço), Pietrina resolveu o problema fazendo outras bem pequeninas.






Estão pensando que ela parou nas rosas em duas dimensões? E as almofadas de tecidos macios e num vermelho tão pulsante que você não resiste em tocar? Cuidado, porque em algumas ela espetou alfinetes (uma alusão aos espinhos?).





Para finalizar, uma idéia prática, barata e prá lá de romântica, acessível a todos que leram este artigo :
Preparem um jantar caprichado, com um centro de mesa onde pétalas de rosas (vermelhas, repito!) são colocadas dentro de pequenos vasos de vidro empilhados (daqueles que embalam os arranjos de flores que vocês recebem – espero – e guardam – também espero!). Não entenderam? Então dêem uma olhadinha na “Sala Mutante” , onde vocês podem se inspirar nesta e em outras idéias.
Continuando...ao fundo o som do sábio Cartola, que já nos ensinava porque nos sentimos tão atraídos por estas flores:


“As rosas não falam,
simplesmente as rosas exalam,
o perfume que roubam de ti. Ah...”



Nota – Além das luminárias (ou objetos luminosos) ilustradas, destacaria mais duas do Elio:

A “Vitro”, composta por uma mangueira de luz em espiral dentro de um paralelepípedo de vidro. Será que alguém conhece a Block lamp do jovem finlandês Harri Koskinen, pertencente a Geração X? Acho que não, eu apenas dei sorte , quando, em 2000, ao visitar o novo Centro de Design Escandinavo em Nova York, deparei-me com esta exposição de novos nórdicos e suas idéias mirabolantes (Mais informações sobre as novidades naqueles países longínquos, leiam matérias que escrevi para a revista ESCALA : “Design nórdico em alta” e “Sensual aos 80").




“Vitro” e “Block lamp” de Harri Koskinen


E a impactante “Saturno” , em látex colorido, que me remeteu de imediato à bela e misteriosa MaMoNuchies, do craque da iluminação Ingo Maurer, executada com uma tradicional técnica têxtil japonesa.
É uma homenagem à Isamu Noguchi, que desenvolveu idéias em torno do papel artesanal akari na década de 60 (se quiserem saber o que mais rolava nesses "anos loucos" leiam “By fifties, welcome sixties”).




“Saturnos” coloridas e “ MaMoNuchies” de Ingo Maurer


Agradecimento do Elio:


Cara Ignez,
Grato pela matéria e pelo carinho.
Te espero na exposição na loja Novo Desenho - MAM.
Abraço,
Elio




P.S Ontem conheci o Elio. Calmo, meigo, tímido, jeito de designer – aquele tipo que o sorriso simples mostra que sabe das coisas mas não esnoba. Suas luminárias? Ainda MUITO mais bonitas do que nas fotos.
A composição das “vitro” – em pé ou deitadas ; as outras cores da “Saturno” – um azulão e um vermelho sangue “de matar” de lindo, e o conjunto das delicadíssimas rosas (ah...), valorizam loja e produto.
Fiquei feliz com a minha seleção. Depois de vê-las ao vivo, optaria pelas mesmas!

Na verdade, já conhecia suas luminárias de mangueiras de luz, que realçam ainda mais um restaurante que já seria charmoso por si só – o “Chez Marcianita” . Vocês não conhecem ? Gente, se eu fosse vocês procurava me informar correndo, porque é muuuito especial : a começar pela proprietária, a simpática Marcia Guimarães, psicóloga, que só nos alimenta os olhos e a alma (e o estômago, claro!) algumas poucas vezes por mês. A cada “evento” desses, iguarias “dos deuses”, sempre diferentes de tudo que você já tenha provado.
É lógico que é uma casa em Santa Teresa (daquelas que, para chegar a uma vista deslumbrante, você desce, desce – não se esqueçam que depois você sobe, sobe), acolhedora, com móveis e objetos antigos e novos. Sobre as toalhas brancas impecáveis...adivinhem...mais uma chance... pétalas de rosas,rosas,rosas... vermelhas!
(Será que foi meu subconsciente então – me explica Marcia – que me traiu e logo associei as luminárias do Elio às rosas para este artigo?)


O agradecimento que recebi por e-mail da Pietrina foi tão bonito que resolvi reproduzi-lo:


Querida Ignez


Lindissimo o seu texto sobre rosas. Poesia pura.
As rosas historicamente têm um sentido existencial, espiritual, metafisico e religioso recorrente. Seu simbolismo cobre todas as experiências humanas. Em meu trabalho tento interpretar estes sentimentos. Por isso nesses 10 anos que pinto rosas elas aparecem com tantas variações. Quanto as rosas com agulhas elas realmente seriam os espinhos fabricados por nós mesmos.
Na vida não nos livramos dos espinhos pois eles são parte dela.
As agulhas nós mesmo colocamos. Entretanto, incluindo as feridas a vida ainda é bela.
Amiga, obrigada pelo lindo texto.
Estou com saudades de você. Vamos nos encontrar aqui ou em Passa Quatro. O que é que vocês vão fazer na Semana Santa?


Beijos

Pietrina






Sabe o que nós fizemos? Fomos para Passa Quatro!
Obrigada, Pietra!


Ignez, ficou lindo...Vamos repetir.
Beijos,
Pietrina
 
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