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ENTREVISTA - Nanna Ditzel, grande dame do design
Por Ignez Ferraz
Danish designer sensual at 80


O primeiro artigo que escrevi para este site – lançado no final de 2005 - foi “Nórdicos em alta”, após retornar de uma viagem à Copenhague (Dinamarca) e Mälmo (Suécia), onde fui entrevistar dois grandes designers que já conhecia via internet. A viagem acabou gerando uma matéria para a revista ESCALA: “Nanna e Lindvall”.



No Studio com Nanna.


E como os descobri?
O design escandinavo teve seu apogeu em meados do século passado, influenciando projetistas no mundo todo (para entendê-lo melhor, leiam “Bye fifties, welcome sixties”). Intrigada com seu forte retorno e novas soluções no início deste século, comecei a pesquisar o que estava sendo produzido nesta região. E de tanto "navegar", acabei descobrindo esta menina (não tão jovem assim - completa 83 anos este ano), cujas formas curvas e delgadas de seus projetos fariam Niemeyer aplaudi-la (bem, perto dele ela É uma menina).


A dinamarquesa Nanna Ditzel, conterrânea de Arne Jacobsen (autor das clássicas cadeiras "ovo" e "formiga"), graduou-se em desenho de mobiliário em 1946, estabelecendo no mesmo ano seu studio com Jφrgen Ditzel. Três filhas e sete netos depois, Nanna continua com o mesmo vigor, e uma alma feminina acentuada - mistura moradia e trabalho, família e auxiliares, viagens profissionais e lazer.


Mas nada melhor para conhecê-la do que admirar seu mobiliário, enviado em CD pela autora (olha só a intimidade!) depois de um delicado bate-papo internauta, e publicado pela ESCALA em 2003 com o título “Sensual aos 80”.


Apreciem - divido com vocês (sem ciúmes) a entrevista original com esta minha paixão: uma designer que nunca se sentiu estigmatizada na profissão pelo fato de ser mulher. Talvez por isso conjugue vida e trabalho de forma tão intensa.


Do you have children or grandchildren?


I have three daughters and seven grandchildren, four boys and three girls.



Que sorte a Nanna já ter bastante experiência com desenho de mobiliário infantil!


Do they have the same profession or work with you?


My daughter in London, Lulu Ditzel, is a graphic designer and her son Edan Ditzel Finn is studying Art at High School. My grandson Emil, who is still attending highschool, is spending a lot of time in my design office. Furthermore, my eldest daughter, Dennie Ditzel, is part time employed at my studio.


Do you leave near by your Studio?


I have a five floor town house in the middle of the medieval city in Copenhagen. The basement and the two lower floors are workshop and design studios. I live on the two top floors.



Seu Studio-residência


How large is your team?


We are a small team, three all together..



Nanna em sua mesa de trabalho, a mesma onde me recebeu dois anos depois. Em primeiro plano, seu maior sucesso comercial: as cadeiras Trinidad.


How is your daily work ?


I work close together with an assistant who is also a skilled cabinetmaker. We always start by making models or prototypes.




Interior da oficina onde produz seus protótipos com ajuda de um marceneiro. À esquerda, encosto de uma de suas mais famosas cadeiras: Butterfly


Do you have any hobby?


I take great interest in art and architecture. I follow intensely the development in the galleries and I also take much interest in fashion.



Nanna não resistiu ao seu lado de vaidade feminina e desenhou, em 1954, jóias em prata (como a pulseira e o colar da foto) para a mais famosa firma dinamarquesa deste material: Georg Jensen (para quem quiser conhecer outros dos seus produtos em aço inox, veja no artigo “Nórdicos em alta”)


Do you travel a lot? Just for job or for fun? What are the places (or cities) you have most enjoyed?


I travel a lot. In the autumn I have been to Japan, Rome, Cologne and twice in London. All a combination of business and fun. I love London where I lived for a period of eighteen years but I am also very fond of the Latin-European countries, specially France and Italy.



De tanto viajar, a designer acabou projetando poltronas mais confortáveis para os aeroportos (conheça também sua outra longarina, Tema, em matéria do “JB” ).


You have worked for more than fifty years. What are the most important changes you have noticed in Design during this period (in your country and in the rest of the world)? As a woman, did you have more difficulties than men?


During my life as a designer the circumstances have changed a lot. Industry and the facilities it offers are far more advanced and accessible now. Design has been accepted as a profession and a very important part of product development. Being a woman has not caused any difficulties what so ever.


Among your projects, what do you prefer? What are the most famous and the champion of sellings?


I obviously am most enthusiastic about the projects we are working at right now. But it is very satisfactory for me to see the great success and big production of the Trinidad chair.



O sucesso da Trinidad acabou inspirando o Trinidad banck para jardins, todo em ferro


Another really selling success is the upholstery cloth "Hallingdal" which I designed for "Kvadrat", Ebeltoft, in 1965.


And about other designers, who do you admire?


When I was young, I was a great admirer of Finn Juhl. Now I take great interest in the work of Frank Gehry, Robert Wilson and the sculptor Anish Kapoor.



À esq., FRANK GEHRY - interior do DG Bank em Berlim (veja sua fachada no artigo “Janelas de Berlim”)
À dir., a escultura Cloud Gate de ANISH KAPOOR, em Chicago (leia mais sobre seu trabalho na dica “Curso de Artes”)


How do you inspire yourself in general?


I observe nature, architecture, art and theatre and whenever I find a quality of interest I try to use it in my work - as for instance the jigsaw ornaments in colonial architecture which I used for the Trinidad chair. But also butterflies and seashells have been an inspiration.



A belíssima cadeira Shell, com o detalhe do compensado termoformatado.


What do you steal dream to project?


My dreams are secret.


And at last (but not least): I think that the slim and curve forms you employ in your design is very sensual. Do you consider yourself a sensual woman?


YES, I THINK I AM A SENSUAL WOMAN!


Obs. Para mim, Nanna não é apenas um exemplo de criadora a ser reverenciada. Com ela aprendemos que NÃO é necessária uma grande equipe para desenvolver um ótimo design e tornar-se um ícone cultuado. Mas nos ensina, principalmente, que charme e sensualidade NADA têm a ver com a idade, como pensa a imensa maioria das mulheres brasileiras, em eterna busca pela juventude e forma física impossível de ser atingida.
Como diria a Maria Veiga (leiam seu artigo “Luz dos olhos”): “Mulheres, mulheres, vocês não sabem o quanto de felicidade estão perdendo com estas preocupações infundadas...”.


P.S. Nanna faleceu em 17 de junho de 2005, 5 meses depois desta entrevista. Ela estava com leucemia e havia acabado de sair do hospital onde se tratava para me encontrar. Preciso dizer "algo mais" sobre a minha admiração da força desta mulher?
 
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