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Anos 20, 30, 40 - Integração das Artes no Brasil
Por Ignez Ferraz
A partir de 1920, a atmosfera para a ruptura com o passado estava bem preparada no Brasil. A oportunidade da comemoração dos 100 anos da independência política do país, parecia a melhor maneira de provar, que uma outra independência cultural estava para ser conquistada.


PRIMÓRDIOS


Esboça-se um movimento MODERNO, numa linha racional, lógica, essencialmente mecanicista, endeusando a machine-à-habiter. Os escritos de Le Corbusier começam a chegar, fundamentando a corrente moderna brasileira. Warchavchik inova nossa plástica arquitetônica através de manifesto publicado em 1925.
A casa geometriza-se - espaço e equipamentos.





Vila operária da Gamboa – Gregori Warchavchik e Lúcio Costa.


Nas artes, a pintura de Fernand Léger, saída de um cubismo pessoal, podia ser considerada, como o melhor paralelo à arquitetura de Le Corbusier .


Mas parece que coube a Di Cavalcanti, a sugestão do que acabaria resultando na Semana de Arte Moderna de 1922. Além dele e de Anita Malfatti (responsável pela explosão de cores), participaram nomes como Victor Brecheret (esculturas), John Graz e Vicente do Rêgo Monteiro (pinturas), além de Oswaldo Goeldi (herdeiro de Livio Abramo), que viria a ser nosso “craque” da xilogravura.





Tenho sorte de possuir uma das raras xilogravuras coloridas de Goeldi, nos mesmos tons desta.


Na tapeçaria, distinguiu-se o trabalho pioneiro de Regina Gomide Graz (esposa de John Graz), com preferência pelos motivos indígenas estilizados geometricos, entre o cubismo e o art-déco.


Logo após a semana de 22, chegaram da Europa Tarsila do Amaral (com sua fase pau-brasil, muito importante para a integração nacional-internacional), e o pintor paulista Antônio Gomide, com suas formações geométricas do pós-cubismo.





Antônio Gomide - estudo para biombo.




1930


Um momento de aparente ruptura na década de 20 se transforma, em 1930, em crise e acomodação. A queda da República e a subida de Getúlio Vargas ao poder, abrem o país para uma era de profunda transformação econômica, social e política.


Mas foi em meados da década de 30 que se enraizou uma das pedras angulares do nosso modernismo: a INTEGRAÇÃO DAS ARTES (leia também sobre este assunto na Magazine ) em torno da arquitetura - o paisagismo, a escultura, a pintura, o design, o mobiliário e a decoração de interiores, buscaram abordar o "habitat" como totalidade, capaz de propiciar plenitude à existência humana.


Nas artes, o Núcleo Bernadelli, formado por gente humilde como Sigaud, Dacosta e Pancetti (quem não viu sua bela exposição no MNBA, talvez possa tentar obter seu catálogo), também vinha instalar um momento de pausa, recolhimento e meditação, depois das convulsões que haviam eletrizado os anos 20.


No mobiliário, devemos citar os irmãos Henrique e Antonio Liberal, que fundaram em 1934, no Rio, a primeira firma brasileira especializada no ramo, não sendo, porém, tão inovadores quanto mais tarde, Joaquim Tenreiro.

Foi ele o lançador do móvel moderno brasileiro, com sua "Poltrona Leve" em 1942. Um estilo em que o partido ergonômico não impedia, mas sustentava, a busca por valores estéticos.







1940


Em meados da década de 40, ergueram-se duas pioneiras iniciativas fundamentais do nosso modernismo: no Rio de Janeiro, o prédio do MEC (Ministério da Educação e Cultura - detalhes deste projeto você encontra na Escala/2002) e o conjunto da Pampulha em Belo Horizonte (JK é mineiro, mas nasceu em Diamantina, terra também de Xica da Silva). Essa arquitetura, ainda que marcada pela presença de Le Corbusier, não tinha por norma exclusiva o funcionalismo, mas visava igualmente à beleza.


Na Pampulha de Oscar Niemeyer, colaboraram Roberto Burle Marx no paisagismo (que descobriu a qualidade plástica dos verdes tropicais e o poder da flora brasileira, intercalando o sofisticado e o agreste), Cândido Portinari em pinturas e painéis de azulejos, e Alfredo Ceschiatti com esculturas.


Na área do mobiliário, já no fim da década, Tenreiro está no auge. Atento ao nosso clima, faz uma releitura da palhinha. Utiliza de forma surpreendente várias de nossas madeiras, principalmente o jacarandá da Bahia, em móveis atualíssimos onde encaixes substituem pregos e parafusos.




Minha família possui dois exemplares desta “cadeira baixa para quarto”, que, no entanto, são utilizadas como "poltroncines" na sala. Além de lindas, são ergonomicamente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s!


Os desastres da 2a Grande Guerra fizeram a Europa curvar-se diante de um novo colosso, e Paris cedeu seu trono à Nova York.


Enfim, o American-way-of-life. As geladeiras importadas passam a ser a sensação do mercado, pois é possível armazenar alimentos comprando em maior quantidade.




A cozinha impulsiona a nova casa – eficiente e limpa, com a utilização dos plásticos e laminados.


Nas artes plásticas, o final da guerra apontava francamente para o abandono da figuração. Acompanhando as novas tendências internacionais, surgia a abstração geométrica, com sua vertente dita concreta.


Antônio Bandeira iria tornar-se um dos nossos pioneiros desta arte, seguido por Iberê Camargo (que, sortudo, ganhou, em Porto Alegre, um novo prédio para a sua fundação, assinado por um dos mais prestigiados arquitetos da atualidade, o excelente português Álvaro Siza - veja o artigo Fundação Iberê).


Com o baiano Genaro, a tapeçaria brasileira começa a tomar o rumo do mundo numa ligação constante com a natureza: as plantas tropicais, as flores agigantadas, os pássaros e as borboletas em cores de vibração e calor.


Na década de 50, após o suicídio de Vargas, toma posse Juscelino Kubitschek.
 
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