“Quando a luz dos olhos meus, e a luz dos olhos teus, já não pode esperar...”

QUANDO não pode esperar?
Quando sua respiração fica ofegante só dele tocar sua mão e apertá-la. Quando então você vai dormir pensando naquele pequenino gesto (se é que consegue dormir) e aí no dia seguinte de manhã (quando um leve sorriso ainda não desgrudou dos seus lábios desde a noite anterior) ele lhe telefona com saudades. Aí, meninas, vocês só terão duas escolhas: ir fundo (porque esta sensação só acontece algumas vezes na vida), ou fugir (por medo de sofrer).
Meu conselho: se resolver fugir corra devagar, para que o desejo possa novamente lhe alcançar.
Isso pode acontecer em qualquer idade, em qualquer tempo, menos naquela noite em que você resolveu “ficar” sem nem conhecê-lo(s) bem. Estas sensações excitantes de “ficar” (aliás, o termo mais up-to-date – e pejorativo, significando com quem você “fica” – é “peguete”) nada têm a ver com o primeiro relato: quando duas pessoas se descobrem viáveis em pele, olho e suspiro. Depois de conversar muito, admirá-lo (item importantíssimo, vocês verão!) e imaginar que no dia seguinte gostaria de encontrá-lo de novo. E de novo... e de novo! Aí entra aquele olhar, ANTES desconhecido para você (nunca duvide daquilo que você vê e compreende através do olhar) - mais lânguido, mais sorridente...
Ah, as mãos! Meninas, meninas, vocês não sabem o que estão perdendo ao ir direto para o beijo sem essa escala. O toque, a maciez da pele, o desejo atiçado.
Tenho ouvido muitas reclamações: os rapazes só querem “pegar”, não querem namorar. Não é reproduzindo o comportamento deles que vocês alcançarão seu objetivo. Mas dificultando as suas intenções (as dificuldades aumentam o desejo, vocês irão aprender com o “tempo”, este eterno aliado), adiando a pressa (claro que, já na meia-idade, não dá para adiar taaanto assim); percorrendo todas as nuances das delícias de um relacionamento: sussurros e palavras doces, os toques leves no cabelo e no rosto, a espera ansiosa por um telefonema (ah, e depois escutar sua voz e saber pelo tom que ele também queria muito ouvir a sua)... E rir, rir muito juntos, porque a vida é MUITO BOA (espero que vocês não descubram isto MUITO tarde) e está sempre nos surpreendendo – desde que vocês a recebam de braços abertos.
 “Can´t take my eyes off you, can´t take my eeeeyes off you...”
Exagero romântico? Então tentem primeiro, depois me escrevam: mariaveiga@ignezferraz.com.br
Nota Ignez: Gostaram? Se quiserem ler outros textos da Maria, acessem Mãos Dadas, O tempo de uma paixão e Toda Ternura
E, pelo Dia dos Namorados, um último Lembrete do sábio Drummond:
Se procurar bem, você acaba encontrando não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.
Vocês foram à exposição da série “Amoureux”, de desenhos à nanquim do Guilherme Secchin, inaugurada no Dia dos Namorados? (Sol, não é por nada não, mas que maior presente o Gui poderia lhe dar?) Bem, é claro que eu fui! Vê lá se eu ia perder um evento romântico e bonito destes, ainda mais saboreando o delicioso menu dégustation do Garcia & Rodrigues? Ah, e para os românticos por natureza, não deixem de adquirir um deles...

Este é o MEU: não dou, não troco e não empresto – afinal de contas eu tenho uma dedicatória do autor atrás do quadro! |