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| Homer |
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| Posted at 26/07/10 by João Siqueira |
 Homer é o da direita
Homer Simpson é escolhido melhor personagem da TV dos últimos 20 anos. "As pessoas se identificam com Homer porque somos secretamente impulsionados por desejos que não podemos admitir”, disse o criador do personagem, Matt Groening. Homer no seu trabalho como inspetor de uma usina atômica comete inúmeros erros e é displicente. No dia a dia, seu estado físico é sofrível, sua inteligência é pouca e sempre está em alguma encrenca produzida por sua irresponsabilidade ou atitude infantil e imatura. Contudo, de alguma forma, Homer sempre consegue se livrar dos problemas, embora sua personalidade não mude.
O presidente Lula disse durante um ato que marcou o início das obras de duplicação da BR-101, que o programa Luz Para Todos, permitiu que os brasileiros pudessem comprar televisões para "ver o presidente".
Eu adoro ver os filmes dos Simpsons na TV, e tenho até as miniaturas dos personagens, sendo o mais interessante de todos o Homer.
Seu inacreditável sucesso pessoal, mesmo inexistindo boa escolaridade, demonstra o seu carisma, e muitos interpretam sua pouca cultura como desvantagem, mas na realidade com a sua intuitiva inteligência, ele capitaliza isto, dizendo-se um vencedor, disfarçando a inveja que tem dos mais instruídos.
Mesmo tendo viajado o mundo todo, Homer sempre subestima e ridiculariza as culturas de outros povos, achando-se realmente, “o cara” e nunca sei se faz isto por ignorância ou prepotência.
Num episódio recente, obrigado a ler um relatório, disse que isto o fazia cansar-se, como correndo numa esteira.
Homer às vezes tem rasgos de megalomania e habitualmente isto o faz trilhar confusos e pouco escrupulosos caminhos na sua querida Springfield, se os resultados parecerem satisfatórios para seus objetivos.
Apesar de não ser considerado um pai exemplar, ele sempre demonstra zelo e cuidados especiais com o futuro dos filhos, além da proteção, conforme já demonstrou com o Homerzinho, digo, Bart Simpson.
Desde a época que era um simples operário na usina tem uma mesma turminha de desajustados e aloprados, que habitualmente se reúne no bar do Moe, bebendo cerveja e inventando maracutaias, para que todos se dêem bem na vida, e isto representa com fidelidade a índole de Homer.
Analisei com cuidado o último episódio e vislumbrei que Maggie, a filha mais nova que usa chupeta e até hoje só pronunciou uma palavra (“Daddy”), deve ser a sucessora do clã Simpson em Springfield, preservando toda a turma do bar do Moe e deixando Homer livre para descansar numa bela praia, com sua inseparável cerveja Duff.
Alguns críticos de TV dizem que a temporada de apresentação dos Simpsons vai ter a duração de mais oito anos, mas particularmente acho excessivo, não acreditando que a audiência fique constante e continue aplaudindo como hoje.
Mas no momento só nos resta aguardar e observar os novos episódios. |
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| LULU cá, LULA lá |
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| Posted at 19/07/10 by Ignez Ferraz |
Ao lembrar que no dia 20 celebraremos o Dia da Amizade, fiquei pensando quem homenagearia neste site dentre meus tantos e queridos amigos (thanks all!). Optei por JOÃO SIQUEIRA, que me envia seus textos, sem reclamar quando não os publico, sem desistir. Por puro prazer de escrever.
Hoje reproduzo, numa só tacada, três irônicos posts, onde João critica nossa politicagem, com finos paralelos às histórias em quadrinhos e desenhos animados – NOSSAS paixões. Embora tenha recebido tantos conselhos para não polemizar o site, jogo a toalha e me declaro ANTI-LULA, com toda a força que meus pulmões gripados ainda possam gritar.
A TURMA DA LULUZINHA
Marta Suplicy articula Palocci como vice, irrita cúpula petista e PDT e Eduardo Suplicy declina de convite para vice.
Eu adoro histórias em quadrinhos e uma das primeiras revistas que colecionei era a da Luluzinha, desenhada pela cartunista Marge, no meio do século passado. Minha infância, permeada pelos quadrinhos, me fez ter imaginação e bom humor.
 FOTO blogdoxandro.blogspot.com
Percorrendo notícias variadas, encontrei semelhanças da estória da Luluzinha com alguns acontecimentos atuais. Luluzinha é uma menina muito esperta, teimosa e determinada, e gosta de aprontar várias situações complicadas, principalmente para manter na linha seu amigo Bolinha, uma espécie de namorado. É o dono e presidente do clubinho local, no qual "menina não entra".
 FOTO justlia.mtv.uol.com.br
Sempre em busca de uma refeição grátis, também pode ser visto dando uma de detetive, tentando resolver mistérios da turminha. Nestes casos, ele adota a identidade secreta de "O Aranha". De vez em quando Bolinha recebe seus amigos marcianos e sai, literalmente, do ar. Lulu, nas horas vagas, inventa histórias cheias de moral, onde é sempre a heroína, geralmente na pele de "uma pobre menininha", enquanto toma conta do terrível Alvinho.
 FOTO univershoq.com
Alvinho é um pentelho que adora pegar no pé de Luluzinha e do resto da turma, que não suportam o menino porque ele quer tudo e vive chorando. Lulu é a única que aguenta o menino e o distrai com historinhas de bruxas (Alcéia e Meméia), na qual ela sempre é a heroína e ele um garotinho mimado. Luluzinha nunca dá ponto sem nó e sempre infernizou a vida de Bolinha, que por ser uma alma pura e boa, aceita estoicamente, as explosões verbais de Lulu. Depois de ver Luluzinha, é só relaxar...
TIO PATINHAS
Receita apura se dinheiro "no colchão" de candidatos que declaram manter em casa somas elevadas em espécie, como Dilma Rousseff (PT) tem origem lícita.
Um dos meus personagens preferidos é o Tio Patinhas.

Quando eu era pequeno e comprava as revistinhas do Disney, uma vez veio como brinde, a réplica da famosa moeda Nº 1, que até hoje guardo como talismã, não sei bem porquê.
Minha cena preferida é o Tio Patinhas, sozinho dentro da sua casa-cofre-forte (ah! que atração exercem os cofres ! ), mergulhando com satisfação nas notas e moedas, imitando um belo mergulho numa piscina.

O nome original de Patinhas, Scrooge Mc Duck, se baseia no avarento Ebenezer Scrooge, personagem principal do Conto de Natal de Charles Dickens.
Vejo que em algumas estórias, o Tio Patinhas parece ter um senso próprio de honestidade, que lhe assegura um certo autocontrole, mesmo com seu comprovado temperamento explosivo e raramente hesita em usar de punição contra quem provoca sua ira. Somente em Patolópolis alguém, no seu juízo perfeito, guardaria dinheiro em casa, pois em qualquer outro lugar do mundo,mesmo com taxas conservadoras de remuneração, qualquer merreca rendendo já ajudaria,além do risco de um assalto.
Pelo menos é o meu caso, que com somente R$ 1000,00 na conta por apenas um dia, meu maravilhoso banco aplica (a contra partida também vale, se estou no vermelho, aí vem ripa). Talvez esta neura com dinheiro e cofres venha da juventude de Patinhas, e quem sabe uma boa psicanálise resolveria.
Imagino que exista um certo tipo de CPMF em Patolópolis e esta deve ser a motivação principal de Patinhas não confiar nos Bancos,e quem sabe no Banco Central de lá. Não sei se é isto, apenas imagino, pois creio que Patinhas só realiza negócios comprovadamente corretos,além de ser certamente não ter Crematofobia (aversão e medo mórbido e irracional, ao dinheiro) Um conhecido economista brasileiro -Delfim Neto- já havia dito: “O capital é como água, sempre flui por onde encontra menos obstáculos."
Dentro do quarto, sob o colchão, sempre há um rio perene de notas verdes correndo, só não sei onde desaguará e tenho até medo de saber.
QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ CORAÇÃO
Falando diretamente para a candidata do PT, Lula encerrou o discurso enfatizando: “Dilma, você já está com cara de presidenta da República”.
 FOTO fuzzy.buzzy.wordpress.com
Vovó veio da Itália para o Brasil ainda adolescente, e nunca aprendeu português direito, passando aos filhos e filhas muitos ensinamentos, algumas manias, receitas e principalmente ditados. Lembro-me de um, que minha mãe sempre repetia quando desconfiava de alguém: “Faccia di miele, cuor di fiele”, que numa tradução livre corresponde ao ditado título desta estória.
A medida que o tempo passa, como distração e relax, retomo os clássicos desenhos da minha infancia e os 101 Dálmatas é um dos meus preferidos, principalmente pela construção da protagonista Cruella De Vil.
Tentei pesquisar a biografia de Cruella na wikipédia e não tive dados conclusivos, pois surgiu um curso acadêmico sem comprovação, além da suspeita de que sua experiência e ascensão administrativa na fábrica de tirar peles sempre foi pela indicação de alguém.
Sua pretensão de ser uma grande estadista, digo estilista, nem sempre correspondeu aos seus feitos do passado, pois na juventude, como todos nós, trilhou caminhos equivocados, mesmo com toda a repressão que havia na sua terra naquele momento.
Talvez seja este um dos traços de Cruella e a sua pouca paciência com todos que transitam ao seu redor, fazendo uma vingança tardia pelo que passou nos tenros anos. Olhando bem, acho que Cruella pode até ter cara de gerente do cortume, mas vale a pena, até o fim, fugir das suas intenções.
 FOTO seamstone.wordpress.com
As roupas, a maquiagem, o jeitão de Cruella, edulcorados pelo passar do tempo e de sua pretensão de obter a pele dos 101 dálmatas, me faz tomar ainda mais cuidado, mesmo sendo apenas um dos milhões de vira-latas que observam os desenhos animados que passam diariamente na tv. |
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| Voar é com Villaventura |
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| Posted at 01/02/10 by Ignez Ferraz |
SHOW! É o mínimo que posso exclamar sobre o desfile do Lino Villaventura (nosso John Galliano) para o Outono-Inverno 2010, apresentado na São Paulo Fashion Week (vulgo SPFW). Inspirado em páSSaros, paSSearam pela paSSarela chapéus bicudos, combinações de cores brilhantes em tecidos fluidos e esvoaçantes, que me remeteram ao Carnevale Veneziano.

Mas nem só de fantasia viveu sua imaginação, apresentando também modelos perfeitamente usáveis...
 O preto intercalado por tons fortes (vermelho, laranja, amarelo, roxo, anil) foi item constante nesta estação. Nos vestidos também marcaram presença as estampas gráficas e os diversos xadrezes.
Manteau linha A com mangas volumosas, chapelão, grandes óculos...só eu é que estou me reportando à...
 ...eterna “bonequinha de luxo” Audrey Hepburn?
Na direção oposta, a minimalista e elegante MARIA BONITA se inspirou na arquitetura da Lina Bo Bardi e desfilou no belo Sesc Pompéia uma coleção estruturada e sóbria.

Nossa consultora de Moda Beatriz Novaes já havia antecipado (e acertado) as tendências há mais de dois meses. Além delas, citaria os patchworks, tecidos sedosos ou tecnológicos como o neoprene, botinhas de cano curto, sapatos ousados (gostei dos da Isabela Capeto) e acessórios como chapéus, maxi colares e óculos marcantes.
Depois de fazer minhas escolhas para o inverno 2009, o que eu realmente vestiria este ano? Mon coeur balance entre os vestidinhos cintados, com saias evasês ou pregueadas (graciosos os detalhes de meias-luvas nos braços) da FORUM TUFI DUEK para o dia...

...e à noite não resistiria aos claros drapeados sedosos da GLÓRIA COELHO, com mangas cristalizadas bordadas sobre transparência.

Agora meu lado ARQUITETA fala mais alto e vou contar qual foi o meu cenário number one: a biblioteca à la Sherlock Holmes da SECOND FLOOR.
 Para quem é apreciador de uma boa leitura, folheiem o artigo LIVROS: estantes para guardar, cantos para relaxar
NOTAS: - Para quem curte Sampa, mas não é ligado em Moda, dê uma olhada nas minhas dicas paulistas. - Apesar de estarmos falando de roupas para o futuro frio, que tal pensarmos como enfrentar este nosso calorão agora? Apreciem os vestidos, bolsas e sapatos de verão. - Costumo analisar o Fashion Rio e apesar de ter comentado a SPFW desta vez, vou dar só uma ‘colher de chá’ para o meu Rio de Janeiro (que “continua lindo...”): Como sou adepta fervorosa de uma bela estampa, adorei o desfile da Cantão (inspirado na Turquia), com seus composés de sedas coloridas e detalhes dourados (meias lurex, sapatos ‘abotinados’ macios, cintos metalizados vazados e – voilà! – sombra nos olhos). Aliás, os florais românticos orientais estiveram em voga no Píer Mauá e a Cavendish se inspirou no Japão (leiam Tóquio veste Prada, Tokyo Cult e IT Nipônico) e China (leiam PEQUIM – Tradição, Ruptura, Modernidade) para criar uma coleção feminina, leve e fluida.
 Apreciaram o clima ‘sino-nipônico’ da Cavendish?
E achei encantador o coque cheio de presilhas da Andrea Marques!
 Très, très CHIC, n’est-ce pas? |
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| Lisérgico Goldfarb |
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| Posted at 20/05/09 by Ignez Ferraz |
Desde que conheci o grande artista Walter Goldfarb e dediquei um artigo à sua obra, ele sempre me atualiza – sorte minha! - sobre suas realizações around the world. So, at first hand, his last e-mail:
Salve Ignez, 3 anos após ter iniciado essa empreitada, Lysergic Lilies Garden foi montada essa semana... A tela, com 12 metros de comprimento, será mostrada no MAC de São Paulo na mostra Arte e Natureza [ARTE FRÁGIL, RESISTÊNCIAS], um dos eventos da programação em comemoração do Ano da França no Brasil, que abre dia 16 de Junho.
Bj Walter




Obs. Essa peça pertence ao Comedador Joe Berardo. Leia-se Berardo Collection, Lisboa. |
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| Volpi inspira design milanês |
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| Posted at 05/05/09 by Ignez Ferraz |
Mal terminou a Feira de Milão 2009 (21-27 de abril) recebi e-mail do nosso correspondente Leo Schettino (autor de Niemeyer), contando sobre seus produtos expostos durante o Evento, desenhados em parceria com brasileiros. Um deles me chamou especial atenção: o Comodino Volpi (auxiliado por Robson Oliveira), porque além de curioso, coincidiu com uma exposição-homenagem, inaugurada semana passada no novo anexo, no Instituto Moreira Salles (leiam Vinho e Marc Ferrez, Santiago e Coppola, Manfredo Souzanetto - mostras lá realizadas).

Querida Ignez como vc tá? a saudade é grande, de vc, do fabio e dos meus amigos cariocas. sabe, reformei meu escritório de Pompéia, tem fotos de todos vcs. Vc sabe q è grande o meu carinho por vcs !!! queria muito te contar que participei do salão do móvel de milão. quando cheguei lá, pensei em vc, no seu trabalho e nas histórias que me contou sobre a experiência que vc teve com milão. foi grande a emoção. continuo a minha busca de colaboração com o brasil e as peças que levamos para o salão foram feitas com brasileiros. nasceu tudo por acaso e fui convidado pelo programa FLORESTAMOBILE que une profissionais tais como veronica rodrigues (filha do sergio), jum nakao, etc... te mando umas imagens, espero que vc goste, a sua opinião é muito importante pra mim! ainda temos um monte de idéias pra desenvolver. espero suas notícias e um grande abraço pra família toda!!! com muito carinho leopoldo:)
Além deste pequeno gaveteiro, destacaria a luminária cocar, co-produzida por Jum Nakao, a partir de sobras variadas de madeiras, iluminadas por leds e alimentada por baterias - recarregadas com energia solar ou corrente alternada.

Como podemos ver, o conceito GLOCAL (leiam Cadeiras ergonômicas ou esculturais? para compreendê-lo) permanece em alta. |
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| Meu avô Archimedes |
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| Posted at 22/04/09 by Pekito |
 Jockey Club - Foto by Dan and Ana
Nota Ignez: Este post é um resumo do primeiro capítulo do livro ”Archimedes Memoria, o último dos Clássicos”, sobre a vida e a obra do importante arquiteto cearense, que se destacou no Rio de Janeiro, com obras do porte das sedes do Jockey Club e do Clube do Botafogo de Futebol e Regatas, Igreja de Santa Teresinha e tantos outros palácios e importantes edificações. Seu nome honra o auditório da Universidade Federal de Arquitetura do RJ, onde foi professor catedrático por longos anos, tendo tido Lucio Costa como estagiário. O autor do livro, seu neto e também arquiteto Péricles Memoria Filho (Pekito), assim o resume:
Este livro pretende pagar o devido tributo a um dos maiores arquitetos e educadores do Brasil, porque da profundidade de sua obra só soube quando da abertura e pesquisa de seus arquivos, já no século XXI, e só foi possível sua feitura por obra do Professor Dr. Thales Memoria que ousou e logrou mantê-los sob sua guarda e às suas expensas, há mais de meio século!
 Archimedes Memoria aos vinte e cinco anos de idade
- Pekito, vovô foi p’ro Céu! Foi assim que, naqueles 20 de setembro de 1960, meu pai comunicou o falecimento de meu avô, colocando-me em seu colo, olhos marejados de lágrimas, na grande casa da família, na Rua Caning, nº 26 – Ipanema – Rio de Janeiro. Eu tinha nove anos.
Archimedes Memoria era um homem grande. Enorme. Um atleta perfeito. Não fumava, não bebia; água, nunca gelada e jamais durante as refeições, só da moringa. Ginástica, todos os dias em sua casa, antes do café da manhã, com barras e pesos. Foi remador do Botafogo, lançador de dardo olímpico no Fluminense e praticante de medicine ball na praia de Ipanema.
Toda segunda-feira eu corria até sua imensa prancheta, localizada em um quarto do segundo andar da “casa velha”, e lhe pedia dois cruzeiros – pra comprar sorvete na carrocinha, na esquina da Rua Rainha Elizabeth, limite máximo de meu perímetro autorizado. Não só eu, mas os outros netos – minha irmã Tânia e Eneida e Cynthia, minhas primas, faziam igual.
 Pátio da “casa velha” na R. Caning, onde moro atualmente
Tinha mão firme no desenho. Seus netos, ainda pequenos, ganhavam sempre papel e lápis, para que, desde cedo, começassem a treinar sob sua orientação.
Já minha avó Hedwiges - Nêne para os seus -, era muito mais severa, filha de alemães. Se descuidássemos, éramos ameaçados de ir trancados para “o quarto escuro” - um cômodo sob a grande escadaria da “casa velha”. Isso quando não vinha atrás de mim com uma “vara de marmelo”, ao descobrir o último modelo de atiradeira-estilingue, feito com câmara de ar de bicicleta, forquilha de galhos de goiabeira, de perfeita modelagem, e couro retirado do tamanco roubado do jardineiro, obra de arte que me tomava duas semanas de execução.
Meu Pai, Péricles Memória - o “Peggy” - era o filho mais velho. Meu Tio Thales, o “Date”, e minha Tia Sigrid, a “Ótis”, gêmeos, vinham depois. Havia também meu Tio Oscar, o Óscar (dono de um Land Rover lindíssimo), a Tia Ema (magérrima, poliglota e bondosa). Todos ipanemenses de primeira linha e... vizinhos. Minha vida girava ali. E tinha coisa melhor? Nas festas de Natal, o melhor da comida alemã. Pernil com farofa, bolinhos de batata recheados, “lieberwurst” (patê de fígado de ganso), sopa fria.
A garagem da “casa velha” era local em que não íamos, porque estava cheia de “coisas”. Ao contrário, o ateliê, nos fundos, oferecia a chance de martelarmos os dedos, tamanha era a quantidade de ferramentas disponíveis, pregos e parafusos, e uma mesa de carpintaria tão grande, que não podia imaginar alguma de maior tamanho. Pelo que me lembro todos os netos, pelo menos uma vez, ali machucaram seus dedos ou serraram suas mãos. Para Archimedes, a marcenaria e carpintaria eram como vícios bem cuidados.
Ao fechar seu escritório, na década de 50, Vovô - que não jogava nada fora -, trouxe todo seu arquivo para a casa e deixou-o na garagem: plantas, estudos, desenhos, correspondência, telegramas, livros, revistas, apostilas, mapas, bilhetes e “torpedos”, jornais e revistas técnicas, diplomas e condecorações. Guardou-o e não mais o tocou.
O tempo passou. Cheguei à Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, em 1969.
 Este sou eu, com 18 anos, feliz por ter entrado na Faculdade de Arquitetura, seguindo os passos da família
Que coisa enorme! Que Campus! A Aula Magna foi a primeira palestra a que assisti. Prof. Paulo Santos, discursava sobre Archimedes Memoria. Que constrangimento! E no auditório Archimedes Memoria! Meus colegas de curso pré-vestibular me olhavam, e eu sentia, desde já, a pressão que minha irmã dizia existir nos netos, filhos e sobrinhos da família Memoria.
A arquitetura e a construção estão em nosso sangue, desde que nascemos. Quantas vezes, ao visitar meu tio Date sempre aos domingos, eu o encontrava as voltas com seus slides sobre História da Arquitetura. De roupão de banho, cachimbo e música clássica na vitrola, tentando explicar para um garoto da época dos “Beatles” o que era um “allegro” na Sonata de Beethoven.
Professor Carlos Del Negro urrava: “vão para o barro!”, Lucas Mayhofer - “distribuição grátis de coca-cola” - em Arquitetura Analítica, Thompson Motta em Acústica, Paulo Pires e Renato Sá em Planejamento, Houaiss em Cálculo - “carteira de identidade em cima da mesa”, Ricardo Menescal em Desenho a mão livre, Joca Serran em Urbanismo - “Perdidos no espaço” - foram mestres capazes de ‘enfiar’ o básico em nossas cabeças.
Mas afinal, o que é o Belo? - acordava eu, me questionando, durante algumas madrugadas. E quantas madrugadas em claro! Café e refrigerante Cola ao fim da sexta noite sem dormir. É dura a vida de estudante de arquitetura. Arquitetura Contemporânea, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Reidy, e outros. E a Cadeira de História da Arquitetura no Brasil chegando só até o colonial brasileiro. Só até o Colonial? E a história do Ecletismo clássico, do Neocolonial e demais estilos na arquitetura brasileira. Não existiram?
 Estudo para o prédio do Palácio do Comércio
P.S. Ignez: Para aqueles que se interessarem sobre a saga deste arquiteto que chegou a dirigir o maior escritório da cidade, fascinado pela Grécia a ponto de produzir festas onde seus colaboradores deveriam se vestir à caráter e , pintor perfeccionista, não deixem de adquirir o livro, que é apenas o inicio de outros diversos eventos que pretendem resgatar sua...memória, é claro!.
 Caricatura do atista plástico Almeida Júnior, por Archimedes |
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| Amor em dose dupla |
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| Posted at 27/02/09 by Ignez Ferraz |
Vocês sabem como sou fascinada pelo Amor (Amor com A maiúsculo mesmo, forte e único). Já leram meus artigos Chambres d’amour ou Cálices da Sedução? E Luz dos olhos e Toda ternura da Maria Veiga? Ou ainda Mãos dadas e O tempo de uma paixão, onde ela faz ‘dobradinha’ com o João Siqueira?
Bem, vocês podem imaginar então a minha torcida no Oscar 2009 por Slumdog Millionaire...
 Dev Patel e Frieda Pinto (protagonistas adultos da história de Jamil e Latika) na emocionante cena final do premiadíssimo Slumdog Millionaire, antes da apresentação dos créditos – aliás, imperdíveis, ninguém pode se levantar sem ver mais esta ‘cena’.
Dias antes da abertura dos envelopes, previ na Home: Melhor filme? Sem hesitar, “Quem quer ser um milionário?”. Fiquei tão encantada com este filme ambientado na Índia, que premiaria o diretor inglês Danny Boyle (de “Transpoitting”), o roteiro adaptado (Simon Beaufoy, baseado em livro de Vikas Swarup), edição, fotografia (Anthony Dod Mantle), som e canção (A.R. Rahman). Não deu outra. Aliás, acertei também o restante...
Torço para Kate Winslet como melhor atriz por “O leitor”, filme que apreciei muito. Para coadjuvantes, o inesquecível Heath Ledger (“Batman”) de “Brokeback Mountain” - que, não sei como, perdeu a estatueta para “Crash” - e, sem dúvida, Penélope Cruz em Vick Cristina Barcelona. Deixaria maquiagem para “Benjamin Button”, assim como a direção de arte. Figurinos, “A duquesa”.
Errei apenas o ator principal, que cravei Mickey Rourke (“O lutador”), mas na verdade ainda não havia assistido “Milk” com o Sean Penn. Mas enquanto acompanhava o “Live Red Carpet” pela TV, enquetes favoreciam Mickey por margem apertada.
 Freida Pinto (de elegante John Galliano azul) e Dev Patel, no dia da entrega do Oscar.
O drama discorre sobre a saga de Jamal Malik (Dev Patel), prestes a ganhar 20 milhões de rúpias num programa de TV de conhecimento geral, com esperança que a sua desaparecida amada Latika (Frieda Pinto) o veja. Nascido na favela de Mumbai, ele não conseguiria acertar as respostas, se não tivesse de alguma forma presenciado os fatos durante sua sofrida infância como órfão, quando conheceu Latika. A obstinação do jovem em busca da sua amada me emocionou.
O colorido da Índia também pincelou o desfile da minha Portela. Uma das alegorias reconta a história de amor que resultou na criação do palácio Taj Mahal, um dos cartões-postais daquele país, que também atua como pano de fundo em alguns momentos de Slumdog.
 O Taj Mahal(nota) é um mausoléu situado em Agra, e o mais conhecido dos monumentos indianos. Encontra-se classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade desde 1983 e foi em 2007 anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno (obs).
A Escola abordou as várias formas de amor no enredo dos carnavalescos Lane Santana e Jorge Caribe, chamado "E por falar em amor, onde anda você".

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, por ex., formado por Fabrício Pires e Danielle Nascimento, interpretou Romeu e Julieta, clássicos personagens de Shakespeare. Ah, e meu amigo Paulinho da Viola foi destaque, claro!
Nota: Era uma vez um príncipe chamado Khurram que durante uma espera de 5 anos, só pôde ver sua noiva uma única vez. A cerimônia do casamento aconteceu em 1612, quando o Imperador a rebatizou de Mumtaz Mahal ou "A jóia do palácio". Ele foi coroado em 1628 com o nome Shah Jahan, "O Rei do mundo", e governou com prosperidade até 1658. Ao dar à luz o 14º filho, Mumtaz faleceu em 1631, aos 39 anos. Reza a lenda que o Imperador ficou inconsolável e toda a corte chorou a morte da rainha durante 2 anos. Durante esse período, não houve música, festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino.
Sobre o local do seu túmulo, mandou então construir o suntuoso monumento Taj Mahal, todo em mármore branco, que ficou conhecido como a maior prova de amor do mundo. Foi executado com a força de mais de 20 mil homens, por aproximadamente duas décadas. Incrustado com pedras semipreciosas como o lápis-lazúli e uma imensa cúpula costurada com fios de ouro, contém ainda inscrições retiradas do Corão. Shah Jahan repousa ao lado da esposa desde 1666.
Obs. Concordo plenamente com o fato do Taj Mahal estar entre as Sete novas maravilhas, mas alguns outros resultados são duvidosos para mim, inclusive o nosso Redentor ou até mesmo a Muralha da China. Como podem estes monumentos terem vencido Alhambra, Haegia Sofia em, ou a Acrópole de Atenas? E olha que só estou mencionando os locais que conheço pessoalmente... |
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